Bônus para carro menos poluidor

- O Estado de S.Paulo

Na terra das Vélib, as bicicletas de aluguel que tomaram as ruas de Paris desde 2007, a compra de automóveis menos poluentes agora recebe um empurrãozinho do Estado. Desde janeiro, compradores de veículos poluentes - em especial picapes 4x4 - passaram a ser punidos com o aumento de impostos de até 2,6 mil no preço final. Em compensação, consumidores que escolherem carros leves, de menor potência, que emitam menos de 130 gramas de CO2 por quilômetro rodado, são recompensados por descontos que podem chegar a 5 mil. A medida, chamada Bonus-Malus, surtiu efeito prático: nos primeiros oito meses do ano, a emissão de CO2 por novos automóveis vendidos na França caiu 9%. O resultado é melhor do que os objetivos estabelecidos pela União Européia para o período 2012-2020 e foi alcançado graças às mudanças de consumo - a venda de carros menos poluentes cresceu 45% e a dos mais potentes caiu 40%. O efeito foi tamanho que o equilíbrio financeiro entre o bonus (desconto) e o malus (sobretaxa) ficou prejudicado. As estimativas mais recentes indicam que o governo terá de desembolsar 140 milhões para pagar os descontos concedidos além do previsto. Para o ministro do Meio Ambiente da França, Jean-Louis Borloo, o prejuízo pouco importa: "Estamos criando um novo modelo econômico, onde o preço não remunera apenas o capital e o trabalho, mas também o capital ambiental." O impacto no meio automotivo francês foi imediato e até irônico. A publicidade do novo Porsche 911 - de alto desempenho e, portanto, mais poluente - não enaltece características do motor ou design e, sim, a queda de 15% nas emissões de CO2. Mas isso não garante desconto. Inspirados pelo sucesso, os ministérios da Economia, do Orçamento e do Meio Ambiente da França estudam ampliar, em 2009, a gama de produtos atingidos pelos Bonus-Malus. Entre os segmentos em análise, estão o de refrigeradores, TVs, computadores e pneus. A decisão deve sair neste mês.