Avanço do H1N1 adia cirurgias eletivas

EMILIO SANT?ANNA - O Estado de S.Paulo

Em São Paulo, medida pode ocorrer se n.º de leitos não for suficiente

Reflexo do aumento na demanda por atendimento nas redes pública e privada, causado pelo avanço da gripe suína, as cirurgias eletivas - marcadas com antecedência - podem ser adiadas em hospitais de São Paulo. A medida é considerada para situações em que exista a necessidade de ampliação do número de leitos e aglomeração de pacientes com suspeita de contaminação. No Hospital Santa Helena, ligado à operadora de planos de saúde Unimed Paulistana, a medida já foi colocada em prática para situações em que a segurança do paciente não seja colocada em risco. No Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o adiamento ainda está sendo avaliado pelos médicos. De acordo com Eduardo Medeiros, infectologista dos dois hospitais, a medida se justifica pela dificuldade de internações dos pacientes com gripe suína e pelo risco de contaminação das outras pessoas. "É uma medida interessante para as cirurgias eletivas que podem ser postergadas, como a retirada de um cisto ou uma cirurgia ortopédica planejada", diz o médico. Como o Estado informou nesta semana, os residentes do pronto-socorro do Hospital São Paulo ameaçam fazer uma paralisação de parte do atendimento no local em razão da falta de infraestrutura adequada para a sobrecarga de trabalho ocorrida após o aumento de casos de gripe suína. Em carta afixada na porta do PS do hospital público da zona sul de São Paulo, os residentes clínicos destacam que o aumento da demanda ocasionada pela gripe A(H1N1) "fez com que ficasse mais óbvio o descaso" com a categoria. Medeiros explica que a suspensão não deve ser adotada como recomendação para todos os hospitais. "É preciso avaliar o risco e o benefício para o paciente", afirma. "Não é simplesmente adiar." Para o infectologista Caio Rosenthal, no entanto, a medida se justifica apenas caso faltem leitos. "Como prevenção, é uma bobagem. Se for assim, daqui a pouco vamos parar outros ambulatórios", diz. "Não tem justificativa epidemiológica."