Associação de empresas contesta indicador e diz que recorreu à Justiça

Alexandre Rodrigues - O Estado de S.Paulo

Embora não seja apresentado na forma de um ranking, o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) é questionado pelo presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, justamente por hierarquizar as operadoras. Para ele, o fato de a agência não ir a campo, visitando as prestadoras avaliadas, compromete a confiabilidade do índice. Ele também põe em dúvida os critérios para a escolha dos dados que constituem o IDSS. "Não acho que os critérios são completamente adequados. Alguns dados como índice de mortalidade, por exemplo, não dizem nada. O que conta é o atendimento anterior", afirmou, em entrevista ao Estado por telefone. Almeida também questiona indicadores como o número de usuários que se desligam do plano. Ele argumenta que as operadoras regionais são prejudicadas por fatores locais, como processos de demissão e contratação de empregados por uma grande empresa que tem aquele plano entre os benefícios oferecidos. "A ANS não é uma empresa de rating, que faz um ranking com critérios específicos para um tipo de avaliação como esta, visitando os locais. Vemos operadoras que são reconhecidamente bem avaliadas com notas baixíssimas", queixou-se, informando que a Abramge já recorreu à Justiça contra o índice. "Acho que nem sempre (o IDSS) é referencial. No atacado até pode ser. Pode até servir para a ANS, mas esse tipo de publicação acaba influindo de maneira incorreta em alguns casos." Já a Federação Nacional de Saúde Suplementar informou que só se pronunciaria sobre a avaliação hoje. O diretor-presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, diz que uma amostra das informações enviadas pelas operadoras é submetida a auditoria para atestar a confiabilidade. Ele afirma que os dados sofrem uma avaliação crítica em sistemas estabelecidos pelo grupo técnico da ANS. "É um indicador bastante confiável."