Alunos invadem USP e reitores das 3 estaduais ficam detidos no local

Simone Iwasso, Élida de Oliveira e Mariana Mandell - O Estado de S.Paulo

Ocupação de cerca de 4h da reitoria foi motivada por desentendimento antes de reunião; vidros foram quebrados

Um grupo de aproximadamente 40 alunos da Universidade de São Paulo (USP) manteve a reitoria da instituição ocupada por cerca de quatro horas no fim da tarde de ontem. Os reitores das três universidades estaduais - USP, Unesp e Unicamp - estavam no local e não puderam sair até as 19h30. Dê sua opinião sobre a invasão da reitoria votando na enquete O motivo da ocupação foi um desentendimento entre alunos, funcionários e o conselho de reitores (Cruesp) antes da reunião de negociação salarial marcada para o início da tarde. Em 2007, alunos e funcionários ocuparam a reitoria por 50 dias em protesto contra decretos administrativos assinados pelo governador José Serra (PSDB). Desde então, a ameaça de invasão aparece em todas as rodadas de reivindicações na USP. De acordo com o sindicato dos funcionários, que estão em greve desde o dia 5 deste mês, o Cruesp colocou imposições para a reunião de ontem, fazendo uma provocação aos alunos e funcionários. "Sempre entram dois representantes de cada categoria na reunião e os reitores dessa vez permitiram que houvesse apenas um representante dos alunos", afirmou Magno Carvalho, diretor do Sintusp. Outra questão foi a proibição da entrada de Claudionor Brandão, funcionário demitido no ano passado, mas que continua na diretoria do sindicato. "Além disso, nos obrigaram a entrar pela porta dos fundos. Neste momento, houve confronto entre alunos e a guarda universitária, que fechou a porta na cara deles", conta ele. Os funcionários permaneceram do lado de fora e parte dos alunos arrombou a porta dos fundos, entrando no hall. Vidros foram quebrados e câmeras de segurança foram cobertas com jornal. Sem apoio do Sintusp e do Diretório Central de Estudantes, o grupo, do qual faziam parte alunos da USP, Unesp e Unicamp, decidiu sair, após uma assembleia. "Não foi uma ocupação planejada. Aconteceu no momento, pelo comportamento do Cruesp. Votamos pela saída e vamos discutir o tema em assembleia", afirma Débora Manzano, do DCE da universidade. Na quinta-feira haverá uma reunião geral dos estudantes, na qual será definida a pauta de reivindicações deles e uma possível greve de alunos. O Cruesp divulgou sua versão em uma nota oficial. Os reitores dizem "lamentar que os representantes do Fórum das Seis tenham se recusado a participar da reunião agendada" e que também "lamentam a invasão ocorrida no prédio da reitoria, em que houve dano ao patrimônio público, além de suscitar tensão entre funcionários que ali trabalham". A reitora da USP, Suely Vilela, não se pronunciou. No início da noite, foi a vez de o Fórum das Seis, que representa os sindicatos e entidades estudantis das três universidades estaduais, pronunciar-se. Em nota, disse que, "apesar deste conjunto de provocações e dificuldades, a coordenação do Fórum das Seis, presente no interior da reitoria da USP para a negociação, tentou dialogar com o Cruesp, mas não obteve sucesso". Tradicionalmente, o mês de maio é tumultuado nessas instituições por ser o momento de debate dos reajustes salariais e outras reivindicações de sindicatos de alunos e professores. REIVINDICAÇÕES Funcionários: Pedem reajuste de R$ 200 mais 17% no salário; querem a readmissão de Claudionor Brandão, membro do sindicato demitido no ano passado; defendem a retirada de processos contra servidores Professores: Pedem reposição salarial de 16,1%; reposição de 10% para os docentes do Centro Paula Souza e realização de concurso público