Alunos com sintomas devem ficar em casa

Luísa Alcalde, JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo

Infectologista analisa medidas preventivas que podem ter mais eficácia

A decisão de colégios de proibir a presença no ambiente escolar dos estudantes com sintomas de gripe foi apontada pelo médico Michal Gejer, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, como uma das mais acertadas ações adotadas por escolas. A pedido da reportagem, Gejer analisou medidas preventivas e cuidados sanitários adotados por dez escolas particulares de São Paulo para tentar evitar o contágio do vírus A(H1N1) na volta às aulas. "Alunos com qualquer tipo de gripe devem ficar em casa", recomenda o infectologista. O período de incubação do vírus pode variar a três a sete dias até que os sintomas da gripe apareçam (mais informações nesta página). A adoção de copos plásticos descartáveis para evitar que crianças e adolescentes tomem água diretamente dos bebedouros também foi vista como boa medida. "Ela previne também várias outras doenças transmitidas por via oral", afirma. A colocação de dispositivos de álcool gel em vários pontos das escolas, medida adotada pela maioria dos colégios, é vista como pouco eficaz por Gejer. "A proteção do álcool é pouco duradoura. Gera paranoia exagerada. Lavar mãos e rosto com água e sabão é suficiente", completa. AGLOMERAÇÕES Intercalar intervalos de aulas para evitar a aglomeração de alunos também foi considerada pelo infectologista uma medida inócua, assim como orientar as crianças a não dividir o lanche. "É difícil e pouco eficaz. O lanche pode ser partido ou cortado", diz o médico. Afixar cartazes dentro e fora dos banheiros recomendando a lavagem das mãos com frequência, assim como ensinar a técnica de como lavá-las corretamente, recebeu o carimbo "ótimo" do médico. Ao lavar as mãos, as pessoas devem dar atenção ao espaço entre os dedos, palmas, dorso e punhos. O infectologista não vê necessidade em cancelar reuniões e atividades esportivas e culturais, como optaram algumas escolas. Uma atitude considerada de extrema importância foi manter as salas de aula arejadas, com as janelas e portas abertas. Já o uso de ventiladores durante as aulas é questionado. "É pouco eficaz. Além do mais, quem consegue ficar na aula com um ventilador ligado?", pergunta. Já aparelhos os de ar-condicionado devem permanecer desligados, segundo Gejer. "Esses espaços têm de ter ventilação natural", aconselha. O especialista classificou como um "exagero" a exigência de uma declaração médica no caso do retorno de alunos que tiverem tido sintomas da gripe. Colocar caixas de lenço de papel nas salas de aula para estudantes que estiverem espirrando também foi vista como uma ação sem resultados práticos. "Criança que tosse ou espirra deve ir ao banheiro para lavar as mãos e o rosto com água e sabão", lembra. Por fim, para o médico, a recomendação para que jovens e adolescentes evitem cumprimentos com beijos e abraços dificilmente será colocada em prática nas escolas brasileiras, como aconteceu em outros países.