Agora é tarde para gritar...

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Hoje, no lançamento da Campanha Nacional da Voz, fonoaudiólogos e psicólogos recomendam: não grite com seu filho. Dessa maneira, poupam-se cordas vocais (as suas) e a educação da criança ou do adolescente. Difícil é achar algum pai ou mãe que resista à tentação de dar alguns berros para o filho rebelde, que insiste em voltar para casa duas horas após o horário combinado. ´O grito nasce da tentativa de se impor ao filho o princípio da realidade que não foi imposto na hora certa, desde os primeiros anos de idade da criança´, diz a psicoterapeuta de crianças e adolescentes Ana Cristina Olmos. Esse princípio vai de encontro ao princípio do prazer, experimentado pelo pequeno ainda no ventre materno e nos primeiros meses de vida. Muitos pais, no entanto, se negam a impor tais limites quando os filhos são pequenos. Acham que dizer não é sinônimo de falta de amor. ´Pelo contrário. Se os limites são dados desde que o filho é pequeno, o ego dele se fortalece, pois ele adquire mais recursos para tolerar as frustrações da vida´, explica a psicóloga. E, quanto mais o pequeno souber lidar com as frustrações, mais forte ele será. Mesmo assim, Ana Cristina acha que gritar ainda é melhor do que não tentar impor qualquer realidade à vida do adolescente. Segundo a psicóloga, muitos pais se equivocam ao pensar que amor é dar aos filhos exatamente o que eles querem. ´Uma hora, a realidade vai se mostrar ao jovem de uma maneira que ele não poderá fugir´, diz Ana Cristina. Nessa fase costumam aparecer os tradicionais e perigosos escapes para os momentos de prazer: drogas, velocidade, violência. Uma opção aos berros são as atitudes que demonstram a firmeza da função paterna ou materna. Ou seja, pais precisam aprender a dizer não sem se descabelarem. ´Mais do que brigar com eles, os adolescentes admiram pais que cumprem o que dizem que irão fazer´, garante Ana Cristina. ´Isso dá a eles a sensação de estarem sendo cuidados de verdade.´