Adolescente não poderia ter viajado, diz especialista

Fabiane leite - O Estado de S.Paulo

Especialista em medicina de aviação, o médico Pedro Rebelo de Carvalho avalia que a adolescente que morreu em um voo da Copa Airlines, após problemas respiratórios importantes, jamais poderia viajar. "Embora se banalize as viagens aéreas, não é tão simples", diz Carvalho, que foi médico credenciado da Agência Nacional de Aviação Civil até o ano passado. Segundo explica o especialista, a menor circulação de oxigênio na cabine pode agravar um quadro, como o diagnosticado na paciente, sem dar sinais. "Pode não ser tão visível (o agravamento), principalmente se a pessoa estiver sentada. A menina poderia estar já sem febre, mas já com hipóxia (falta de oxigênio no sangue), e a queda de oxigênio na cabine piorou o quadro", explicou. Carvalho reiterou advertências feitas por outros especialistas de que as condições de pressão, temperatura e umidade nos aviões são desfavoráveis às doenças respiratórias. A pressão na aeronave, que é mais baixa do que no solo - e não mais alta, como informou ontem a reportagem -, torna o oxigênio mais rarefeito no organismo. E também propicia a expansão de gases e de edemas (acúmulo anormal de líquidos entre os tecidos). Já a temperatura mais baixa do ar leva a uma contração dos vasos, dificultando a respiração. Por fim a baixa umidade do ar da cabine propicia o ressecamento das mucosas e secreções respiratórias, prejudicando ainda mais aqueles com doenças pulmonares. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a regulamentação sobre a presença de pessoas doentes em aeronaves é tarefa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão, por sua vez, informou não ter normas específicas para problemas pulmonares, mas apenas resoluções que tratam de providências que podem ser tomadas em caso de doenças infecto-contagiosas. No entanto, a agência destacou que a menina, se estivesse no Brasil, não embarcaria por causa do seu estado debilitado.