A dança do poste

Cristiana Vieira - O Estado de S.Paulo

Com menos apelos sensuais e mais acrobacias, a pole dance ganha uma versão fitness que garante o fortalecimento muscular

A referência que se tinha de pole dance era a de uma dança apresentada por strippers em boates. Aí veio o filme Striptease (1996), de Andrew Bergman, estrelado pela bela e então bombada Demi Moore, que usava a barra para dar alguns giros durante suas performances. Em uma versão brasileira, e também sensual, a pole dance foi apresentada na novela da TV Globo Duas Caras, de Aguinaldo Silva, que criou a dançarina Alzira, vivida por Flavia Alessandra.

 

A origem da dança remete aos anos 1980, quando esse tipo de performance foi alardeado nas boates inglesas, chegando logo aos cabarés europeus. Mais tarde, o famoso Cirque du Soleil incluiu a técnica em suas apresentações mundo afora. Hoje, a atividade ganha espaço em congressos (o primeiro foi realizado em novembro, no Rio de Janeiro), e já existe até campeonato mundial, marcado para maio, em Londres.

 

Assim, essa modalidade em que a mulher faz acrobacias numa barra vertical deixou de ser exclusividade das dançarinas de strip-tease e ganha cada vez mais espaço no cotidiano feminino. Agora, aparece numa versão menos sensual e mais acrobática. Os Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido e Austrália já transformaram a pole dance em atividade física. No Brasil, o rótulo de vulgaridade vem perdendo espaço. O Rio de Janeiro saiu na frente e já criou uma Associação e até uma Federação Brasileira de Pole Dance. Em São Paulo, por exemplo, há apenas um estúdio, o Cristina Longhi Pole Dance, credenciado à Federação.

 

Embora seja pouco reconhecida, a atividade já tem até uma representante brasileira que venceu o campeonato sul-americano. É Rafaela Montanaro, que ganhou o título de Miss Pole Dance Sul Americana, na Argentina, no ano passado. Depois disso, já se ouve nos bastidores que o Comitê Olímpico Internacional trabalha com a hipótese de incluir a modalidade em olimpíadas.

 

 

FITNESS

 

Corpo definido sem precisar puxar ferro nas academias é o que a pole dance promete. A vice-presidente da Associação Paulista de Pole Dance, Edi Reis, é uma das grandes defensoras da atividade. Ela perdeu 12 quilos em oito meses só praticando a pole (calcula-se que se perde até 1.200 calorias por aula). Conheceu a dança na novela, comprou o poste, instalou em casa e começou a treinar sozinha - o que não é recomendável, diga-se. Depois participou de workshops com especialistas no assunto - como as argentinas Elisangela Reis e Daniela Schmoll - e hoje dá aulas no estúdio da zona sul de São Paulo. "Defini o corpo só com a pole, pois não fiz dieta. Continuo comendo de tudo." Sua aluna mais nova tem 18 anos e a mais velha, 40.

 

A aula começa com aquecimento, seguido de alongamento, que pode ser feito no solo ou no próprio poste. Em seguida, vêm os exercícios de força e de resistência, que garantem o fortalecimento muscular. Aí é que as meninas começam a parte mais divertida, a de se agarrar ao poste e começar logo a aprender os giros. "São movimentos de pole aliados a dança", explica a presidente da Associação Carioca e Federação Brasileira de Pole Dance, Vanessa Costa, lembrando que o profissional deve ser devidamente habilitado para ministrar as aulas.

 

Vanessa explica que, durante a prática, a mão sua, o corpo, por vezes, atrapalha, falta força e resistência. Por isso, quem pensa que na primeira aula já se começa a fazer alguma manobra, acaba se frustrando. Por isso, o ideal é estar pronta para aprender a cada dia, respeitando as limitações. "Ensinamos a executar o movimento sem sofrer lesão", explica Edi. Às que têm medo de despencar do alto do poste e se esborrachar no chão, a professora mostra que, até para isso, é preciso técnica. Pois travando-se as pernas, não se tem como escorregar. E mais: garante que nenhuma das suas alunas chega ao alto sem que ela esteja logo abaixo, controlando os movimentos.

 

Cada módulo tem duração de cerca de seis meses. E é só no intermediário que começam as técnicas de inversão. São cerca de 300 movimentos no total, que trabalham as partes interna e externa da coxa, a cintura, o abdome. Para se considerar formada, a aluna tem de frequentar as aulas por, no mínimo, um ano e meio. Mas uma performance para o amado pode ser resolvida em um mês.

 

A prática exige short curtinho (quase uma sunga masculina), que deixa a perna exposta para a pessoa poder travar a coxa no poste. "Quanto menos roupa, melhor. A nossa segurança é garantida pelo atrito do corpo no aço", explica Vanessa.

 

 

MISS POLE DANCE

 

Rafaela Montanaro (www.rafaelamontanaro.com.br) é ginasta, formou-se em Educação Física, já fez dança, circo, trapézio e, quando começou a procurar novidades na sua área, descobriu a pole dance. Há nove meses, treina de três a quatro vezes por semana, durante três horas, e ainda dá aulas de educação física. Ela participou do campeonato sul-americano e venceu, tornando-se a Miss Pole Dance América do Sul. "Nem acreditei que ganharia."

 

Agora, Rafaela se prepara para participar de um torneio mundial, que será realizado em maio, em Londres. A disputa é difícil. Os jurados avaliam a dificuldade das acrobacias, força, flexibilidade, roupa e o ritmo da dança. E para quem está começando a expert dá um recado: "uma hora a dor nas pernas vai passar."

 

 

Serviço:

Associação Carioca de Pole Dance: tel.: (21)2482-8999

Cristina Longhi Pole Dance / Associação Paulista de Pole Dance: tel.: 2366-0919

Rafaela Montanaro: www.rafaelamontanaro.com.br