15 mil casos suspeitos de gripe suína esperam exame

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Ministério atribui fila ao desrespeito dos critérios para envio de amostras

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que, até semana passada, 14.956 amostras de pacientes com sintomas de gripe, de um total de 20.820 casos informados, aguardavam análise laboratorial. Isso significa que pouco mais de 25% dos casos foram esclarecidos. O ministério admite que a proporção deve ser mantida nesta semana. "Esse atraso deixa claro uma coisa: as estatísticas de morte e de casos confirmados não dão dimensão do que está ocorrendo no País", avaliou o diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul, Francisco Paz. A noção exata, completou, o Brasil só terá quando o resultado de um número mais significativo de coletas tiver sido analisado. Ele contou que, no Estado, eles trabalham com outro cenário. "Partimos da ideia de que 70% dos casos suspeitos são confirmados." Os exames são avaliados em três laboratórios: Adolfo Lutz (SP), Fiocruz (RJ) e Evandro Chagas (PA). Juntos, eles têm capacidade de processar mil casos e 40 amostras diariamente. Mas o ritmo de análise está menor, por falta de insumos para fazer os exames, informa o ministério. Segundo a pasta, reagentes e máquinas foram comprados, mas, como a demanda mundial é grande, é preciso aguardar a chegada do material. O ministério não informou quando isso deve ocorrer. Além da compra do material, o ministério decidiu ampliar o número de laboratórios capacitados para o exame. Além dos três de referência, foram incorporados o Laboratório Central do Rio Grande do Sul e do Paraná. Essa lista será ampliada pelo Laboratório de Saúde da Fundação Ezequiel Dias(Funed), de Minas . Técnicos já foram treinados e a expectativa é de que, nos próximos dias, a análise de amostras de pacientes suspeitos passem a ser analisadas. Para isso, é preciso aguardar insumos adquiridos pelo governo mineiro. "Vamos fazer 40 amostras por dia, o que já pode ajudar a melhorar a fila de espera no Estado", avaliou o diretor do laboratório da Funed, Júlio Cesar Siqueira. O ministério atribui a grande dimensão da fila também ao desrespeito aos critérios para o envio de amostras. Técnicos argumentam que autoridades locais enviam para laboratórios amostras de pacientes com sintomas leves, contrariando a recomendação de que exames sejam encomendados só para casos graves ou óbitos. "Aqui no Sul, não é isso o que ocorre. Enviamos somente casos descritos no protocolo", disse Paz. Ele nega que haja um critério para entrega dos resultados, como garante o ministério. "Hoje (ontem) recebi um lote de amostras com casos de 21 de julho e 19 de agosto. E neles havia óbitos." Por causa do atraso, o ministério admite que a diminuição do número absoluto de casos graves, registrada na última semana, pode ser alterada.