11 Estados prorrogam a vacinação contra rubéola

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

Medida foi tomada para tentar melhorar o índice de imunização, que está em 77% da população-alvo, bem abaixo do considerado ideal

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Rubéola será prorrogada até o próximo dia 19 em 11 Estados. A medida, anunciada ontem, foi tomada para tentar melhorar os índices da imunização, que ficaram abaixo do considerado ideal. Desde o início da campanha, em 9 de agosto, 77% da população-alvo foi imunizada. Entre os homens - a principal preocupação do Ministério da Saúde - o porcentual alcançado ao longo da campanha foi ainda mais baixo: 73%. Esse índice não alcança nem mesmo a faixa mediana de resultados, que varia entre 90% e 94,99%.   Veja a imunização por Estado, segundo o Ministério da Saúde Apesar do desempenho alcançado até agora, o Ministério da Saúde avalia ser possível chegar até a próxima sexta à meta estipulada: vacinar pelo menos 95% da população entre 20 e 39 anos. "A estratégia foi alterada em alguns pontos. Algumas secretarias enviam postos volantes para regiões de grande circulação, empresas, metrôs", observou Marília Bulhões, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. A mudança fez com que os números de adesão à campanha melhorassem. A idéia é que o método seja replicado em vários pontos do País, até mesmo nos Estados onde oficialmente a campanha já terminou. O desempenho conquistado até agora destoa da tradição das campanhas de multivacinação, mas não espanta especialistas. O coordenador do Programa de Imunização da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Brendan Flannery, considerou os números "muito bons", sobretudo diante do pouco tempo de iniciativa. Segundo ele, em outros países, a campanha foi desenhada em um período maior que a do Brasil (de cinco semanas). "O País fixou uma meta ambiciosa. Um período curto, comparando com experiência de outros países", observou. O tempo de campanha, completou, foi determinado sobretudo por limitações de logística e de recursos. "Mas certamente uma nova etapa da imunização agora se dará", observou. O consultor do Ministério da Saúde, Gabriel Oselka, também afirma que a campanha teve resultados bons. A maior dificuldade está na característica da doença e do público-alvo: o ideal é vacinar homens, que nos últimos dois anos foram as principais vítimas da rubéola. Dos 8.684 casos da infecção registrados no País ano passado, 70% foram em homens. Para eles, a rubéola é benigna. O maior risco é quando a doença afeta gestantes. Nesses casos, a criança infectada pode nascer com a síndrome da rubéola congênita: apresentar cegueira, surdez, retardo mental. Tanto Oselka quanto Flannery acreditam ser possível o Brasil cumprir o compromisso de erradicar a rubéola até 2010. Flannery aposta na mudança de estratégia: a saída dos postos-volantes de vacinação é promissora. "O ideal seria conciliar sempre as duas estratégias. Mas essa é uma forma mais difícil e cara de trabalhar." Para os especialistas, o formato das campanhas de vacinação é antigo, mas ainda não pode ser aposentado. Nos últimos anos, estatísticas brasileiras de multivacinação infantil começam a dar sinais de que a população está cansada do formato. Oselka afirma ser preciso repensar estratégias, reforçar a vacinação de rotina. A coordenadora do programa de imunização admite que o governo está pensando em novas abordagens. Sobretudo o reforço na vacinação por meio de programas, como o Saúde da Família.