Viola Davis fala sobre infância difícil e diversidade em Hollywood

Redação - O Estado de S.Paulo

'As memórias mais fortes que eu tenho da escola até a quarta série eram os xingamentos e as agressões', disse

Durante um congresso para mulheres nos Estados Unidos, a atriz Viola Davis falou sobre sua infância difícil e diversidade em Hollywood

Durante um congresso para mulheres nos Estados Unidos, a atriz Viola Davis falou sobre sua infância difícil e diversidade em Hollywood Foto: Lucas Jackson/Reuters

A atriz Viola Davis, que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2016 por seu papel em Um Limite Entre Nós, falou sobre sua infância difícil durante um congresso para mulheres realizado em Boston, nos Estados Unidos. A atriz, que cresceu em situação de pobreza extrema, revelou que sofreu racismo diariamente quando estudava e fazia xixi na cama até os 14 anos por conta dos traumas sofridos em casa.

“As memórias mais fortes que eu tenho da escola até a quarta série eram os xingamentos e as agressões”, disse. “Logo que o sinal tocava eu era a primeira sair da classe, ia correndo pra casa porque quando olhava para trás tinha oito ou nove garotos arremessando coisas em mim e me xingando”, relembrou a atriz.

Viola nasceu em uma antiga fazenda de escravos sem água potável ou banheiros. Quando se mudou com a família para uma cidade em Rhode Island, eles eram os únicos negros do local.

Vivendo em situação de pobreza em uma casa infestada de ratos, ela também falou que a situação com seus pais não era boa. “Meu pai era um alcóolatra e havia muita violência doméstica. Eu fiz xixi na cama até os 14 anos por conta disso e muitas vezes não tínhamos dinheiro para lavar as roupas de cama”, falou. “Não havia dinheiro para comida e, sempre que o cheque da assistência social chegava, só durava umas duas semanas”, continuou.

Ela também comentou que ser indicada ao oscar em 2011 por Histórias Cruzadas mudou sua visão de como mulheres negras podem ser retratadas por Hollywood. “Depois da indicação eu percebi que não precisava aceitar só papéis que reforçassem o estereótipo da mulher negra”, comentou. “Eu vejo mulheres negras nos filmes e não as reconheço porque eu olho para o mundo e vejo histórias muito mais diversas de mulheres que sofrem com violência doméstica ou aids”, finalizou.