Tratamento de Marcelo Rezende teria sido feito por médico sem licença

Redação - O Estado de S.Paulo

Reportagem do 'Domingo Espetacular' apontou relação entre o jornalista e Lair Ribeiro, cardiologista que defende tratamentos alternativos

Marcelo Rezende morreu em setembro, após lutar por quatro meses contra um câncer no pâncreas e no fígado.

Marcelo Rezende morreu em setembro, após lutar por quatro meses contra um câncer no pâncreas e no fígado. Foto: Edu Moraes/Record TV/Divulgação

O Domingo Espetacular desta semana revelou alguns detalhes sobre o tratamento que Marcelo Rezende adotou após ser diagnosticado com câncer no pâncreas. O apresentador morreu no dia 16 de setembro.

Segundo a reportagem do programa da Record TV, o apresentador procurou Lair Ribeiro, cardiologista famoso por defender tratamentos alternativos, como a dieta cetogênica. Nessa dieta, o paciente exclui carboidratos e açúcares da alimentação, o que, segundo Ribeiro, diminui os tumores.

De acordo com uma testemunha que participou de um encontro entre Rezende e Ribeiro, o médico disse que o jornalista deveria abandonar a quimioterapia e garantiu que, com a dieta cetogênica, ele estaria "definitivamente curado do câncer" até setembro.

Entretanto, Ribeiro não tem licença para realizar consultas ou receitar medicamentos no Estado de São Paulo. Por isso, ele indicou uma de suas alunas para tratar Rezende. O problema é que a aluna indicada, Kátia Yuri Nakazone, atende em uma clínica da cidade como ginecologista.

Todas as segundas-feiras, Rezende ia de sua residência em Barueri, região metropolitana de São Paulo, até Ribeirão Preto, no interior, onde ficava por alguns dias, para se tratar com Kátia. A profissional cobrava R$ 4.200 por dia e assinava, nas receitas prescritas ao jornalista, como especialista em medicina preventiva. Entretanto, em seus registros no Conselho Estadual de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), não consta nenhuma especialização.

Conversas de Whatsapp e testemunhas, porém, mostram que Kátia não atuava no tratamento sozinha. Segundo registros obtidos pelo Domingo Espetacular, Ribeiro acompanhava o tratamento de perto: os dois se encontraram ao menos duas vezes pessoalmente e conversavam pelo telefone com frequência. "Os dois se falavam muito ao telefone, o Marcelo ligava e ele [Ribeiro] também ligava", contou Didi, funcionária da casa do jornalista há 13 anos.

Em uma conversa do dia 19 de maio, a secretária de Ribeiro pede um endereço a Rezende para enviar-lhe um "material que o doutor Lair solicitou". Em outro dia, Rezende enviou uma mensagem para Kátia questionando sobre uma enfermeira que não poderia comparecer, e a médica respondeu que iria verificar com Lair essa questão.

Em agosto, o jornalista mandou outra mensagem para a médica, dizendo que estava piorando e que já havia conversado com Lair sobre o assunto, ao que ela respondeu: "Falei com o doutor Lair. Pode fazer a banheira com dois copos de sal grosso ou do himalaia".

O então apresentador do Cidade Alerta foi diagnosticado em maio. Após ser internado no Hospital Israelita Albert Einsten, passou por uma sessão de quimioterapia e ouviu dos médicos que a probabilidade de cura era de menos de 1%. Por isso, resolveu buscar um tratamento alternativo.

O E+ tentou contato com Lair Ribeiro, mas sua secretária informou que ele se encontra fora do País e até agora não se pronunciou sobre o assunto. Em um áudio que circula na internet, divulgado pelo Domingo Espetacular, o médico diz: "Que apesar da extrema malignidade da doença, ele viveu quatro meses após o diagnóstico, informando sobre sua resiliência e sobre seu estado de saúde nas redes sociais. Esclareço, com isso, que todas as informações que relacionam meu nome com esse caso são apenas especulações". 

A reportagem completa pode ser assistida no site da Record TV