‘Sambar é mais importante do que ter um corpo perfeito’, diz Lívia Andrade

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

A madrinha de bateria da Império de Casa Verde falou também sobre seu primeiro desfile, aos dez anos, e preparação para o carnaval

  

   Foto: Léo Franco/ Camila Novo Assessoria de Imprensa & Imagem - Produção: Atelie Regis Coelho -Beleza: Eduardo Sacchiero

Acostumada com a avenida desde os dez anos de idade, a atriz Lívia Andrade já incorporou o carnaval no dia a dia. Ela mantém uma dieta saudável, um ritmo de exercícios o ano inteiro e faz poucas alterações nos meses que antecedem o desfile. Ela não abre mão de comidas saborosas e garante que saber sambar faz muito mais diferença na avenida do que ter um corpo perfeito.

Lívia conversou com o E+ sobre sua preparação para o carnaval e revelou o início da paixão pela avenida, ainda criança.

Quando começou a sua preparação para o carnaval deste ano?

Eu geralmente começo a pensar em preparar o corpo especificamente para o carnaval uns tres meses antes. Já costumo fazer exercício, tento ter uma vida e uma dieta mais equilibrada, mas esses três meses que antecedem o carnaval, apesar de ter Natal, Férias e réveillon, intensifico para ter um resultado. Às vezes a gente se mata de treinar, e basta uma semana de indisposição para perder o resultado. Eu prefiro ter isso mais concretizado, durante mais tempo. Tenho uma alimentação equilibrada para a vida. Na semana do carnaval, faço uma dieta mais específica, com refeições fit preparadas. Mas a comida tem que ser boa - um nhoque de abóbora, de batata doce com molho de carne… Não vale a pena sacrificar isso por um corpo perfeito. Não vale ir passando mal.

Quais são as suas prioridades nessa época?

Tem outras coisas mais importantes do que o corpo perfeito no carnaval. Divertir-se, sambar, que é o mais importante para uma madrinha ou rainha de bateria. Muitas não se preocupam com isso, se preocupam mais com o corpo do que frequentar os ensaios ou aprender a sambar. Investem na fantasia, na aparência, e esquecem de dedicar um tempo para ter umas aulinhas de samba e dar um truque na avenida. Quando você assume a responsabilidade de estar à frente da bateria, o mais importante é representar bem a bateria, com simpatia, com samba no pé. Entre ir para a academia ou para o ensaio no mesmo dia, prefiro ensaiar, sambar.

Para quem não sabe sambar, adianta fazer algumas aulas antes do carnaval?

Adianta. Tem muita gente que dá aula nas comunidades. Você consegue ir pegando com o tempo. A dedicação que você tem nos ensaios, pegando o som realmente da bateria, você vai pegando o molejo do samba. Mas dá para dar um truque muito bem quando você faz pelo menos uma aula. Mãos, como se posicionar… Eles ensinam umas técnicas que fazem toda a diferença para quem não sabe.

E você, que já tem samba no pé, faz aulas?

Eu nunca fiz porque já estou há 23 anos desfilando no carnaval sem parar. Antes mesmo de trabalhar no meio artístico, o mundo do samba já fazia parte da minha vida. Desde pequena era uma coisa que eu gostava, minha família não frequentava escola de samba, então é um gosto meu. Eu moro na zona norte, tem várias escolas, então eu dava um jeitinho de ver ensaios, ficava encantada e prestava muita atenção em como o povo fazia. Quando eu fui desfilar pela primeira vez na ala das crianças, eu já sambava em casa, colocava as fitas de samba do meu pai, ficava sambando sozinha em casa. Precisa ter vontade de aprender, o gosto do samba, e com o tempo você vai aprimorando o samba no pé, colocando a sua personalidade. Cada um samba de um jeito, busca uma maneira diferente, particular. Mas tem que sambar.

Como foi seu primeiro desfile, ainda na ala das crianças?

Eu tinha dez anos na primeira vez que eu pisei na avenida fantasiada. Eu era criança e, na época, a Unidos do Peruche ensaiava muito próximo à minha casa. Eu lembro que na época eu era bem pequena e ia nas costas do meu tio pendurada, de cavalinho, para conseguir enxergar. Eu já achava aquilo maravilhoso, dizia ‘é isso que eu quero’. Só que a minha mãe nunca permitiria uma criança no samba. Está louca? Mas eu queria tanto que fui, me organizei, consegui saber tudo da ala das crianças. Eu enchia o saco do povo na escola. E aí a mãe de uma amiga minha, que era mais velha, ia deixar ela desfilar. Então eu aproveitei isso para dar um jeitinho e conseguir a minha fantasia. A partir daí foi chorar e encher a paciência da minha mãe até ela ceder pelo cansaço. Aquilo pra mim foi a melhor coisa do mundo, foi a minha Disneylândia. 

Quais são as suas memórias daquele dia?

Eu lembro de cada detalhe. Quando você chega no Anhembi, na concentração, aqueles carros alegóricos parados, com luzes, grandes… Eu nunca tinha ido pra Disney, aquilo era o máximo. A hora que passei pelo portão, vi a bateria, todo mundo fantasiado, as luzes e o povo todo no Anhembi olhando, foi mágico. Dali em diante, eu sabia que era o que eu queria para a minha vida. Hoje, quando estou no recuo da bateria e vejo a ala das crianças passando por mim, eu consigo me ver em uma daquelas crianças. 

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