Mahershala Ali fala sobre preconceito: 'Eles diziam que meu nome era igual ao de um terrorista'

Redação - O Estado de S.Paulo

Ganhador do Oscar por seu papel em 'Moonlight' disse também que já foi seguido em lojas e parado por policiais por ser negro

Mahershala Ali ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em 'Moonlight'.

Mahershala Ali ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em 'Moonlight'. Foto: REUTERS/Danny Moloshok

Após ter ganhado o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em Moonlight, Mahershala Ali viu sua vida mudar. O ator é a nova capa da revista GQ, e falou sobre os preconceitos que já sofreu e como está aprendendo a lidar com a fama.

"Quando, de repente, você vai de ser seguido numa loja da Barneys a ter atenção de fãs, isso bagunça sua cabeça", disse ele. O ator contou que, por toda sua vida, seu nome e a cor de sua pele o fizeram ser vítima de racismo. "Enquanto andava pelas ruas de Berkeley, alguns policiais apareciam e me paravam, dizendo 'mostre-me sua identidade', e você fica, tipo, 'o que está acontecendo?'", relembra Ali, que mora nos Estados Unidos.

E o preconceito não vinha apenas de policiais e seguranças. Ele lembrou que, muitas vezes, pessoas escondiam suas joias quando o viam no metrô, pensando que ele as roubaria.

Já seu nome, que na origem hebraica é Mahershalalhashbaz, sempre fez com que as pessoas o associassem a um terrorista, principalmente após o ataque de 11 de setembro."Eles ficavam tipo, 'é, seu nome é o mesmo que o de um terrorista'. E eu dizia: 'Que terrorista está andando por aí com um primeiro nome hebreu e um sobrenome árabe? Quem é esse cara?'".

Apesar dos preconceitos sofridos, Ali diz que ama os Estados Unidos, mas que gostaria que os direitos que estão garantidos na Constituição fossem respeitados na prática. "Eu realmente amo esse país, mas, assim como muitas pessoas, eu tenho muitas questões e preocupações sobre como as coisas têm sido durante todos esses anos e sobre o lugar em que estamos. E esse desejo vem desse amor, porque eu quero que o país seja o que ele diz que é no papel", finalizou.