Imagens do rosto em 3D podem determinar riscos de doenças

Anna Paula Buchalla - O Estado de S.Paulo

Independente da idade cronológica, a pele envelhecida é um marcador extremamente eficiente dos males da idade, revela uma pesquisa chinesa

As rugas no rosto podem ser mais, muito mais do que um mero sinal de que o corpo está envelhecendo. Elas seriam a chave para detectar doenças associadas ao envelhecimento, como mostra um estudo feito a partir de imagens faciais com tecnologia 3D. Os cientistas buscavam, na verdade, descobrir a idade biológica de voluntários, baseados apenas nas fotos tridimensionais feitas por meio de um scanner. Ao analisar as faces de 300 pessoas, entre 17 e 77 anos, eles descobriram que as rugas não só definem a idade biológica como determinam como alguém envelhece. E essa idade seria a melhor forma de determinar a suscetibilidade a uma série de doenças.

Estudo de imagens faciais em 3D associa aparência de mais idade a doenças e estados de risco, como o colesterol alto

Estudo de imagens faciais em 3D associa aparência de mais idade a doenças e estados de risco, como o colesterol alto Foto: Zach Blas/Creative Commons

 

Segundo os pesquisadores, essas imagens podem ser até mais efetivas para determinar o nível exato de envelhecimento do organismo do que certos marcadores biológicos presentes no sangue. "As imagens faciais em 3D podem de fato definir a sua idade biológica", disse um dos principais autores do estudo, o professor Jing-Dong Han, da Academia de Ciências Chinesa, em Shangai. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell Research, da Nature.

A análise 3D mostra bem mais do que o que já se sabe ao envelhecer: o nariz aumenta, os lábios afinam, a distância entre o nariz e a boca cresce, os cantos dos olhos caem. Neste caso específico da pesquisa chinesa, os cientistas pretendiam entender por que algumas pessoas envelhecem mais rápido do que outras da mesma idade e de que forma esse envelhecimento pode afetar a saúde. Eles usaram um modelo matemático para definir uma idade baseada nas imagens. E descobriram, entre outras coisas, que mulheres com aparências mais velhas tinham tendência a ter níveis mais altos de LDL, o mau colesterol.

Por outro lado, os bons níveis de colesterol estavam associados a bochechas mais fartas e menos flácidas, assim como a região sob os olhos, tanto em homens quanto em mulheres.

 

Os resultados mostraram também que pessoas com menos de 40 anos podem parecer seis anos mais velhas ou mais novas, dependendo de suas características faciais. O mais surpreendente é que, a partir da quarta década de vida, a variação pode aumentar ainda mais, o que significa que alguns quarentões aparentam mesmo ser bem mais jovens - ou bem mais velhos. E, aí, entra a medicina a nosso favor. “Pessoas com idade fisiológica maior do que a biológica, poderiam, por exemplo, receber tratamentos mais indicados a pessoas mais velhas”, escreveram os pesquisadores. É mais um possível passo no caminho que nos leva ao futuro da medicina: o dos tratamentos médicos individualizados.