Harry fala sobre funeral de Diana: 'Não acho que crianças deveriam ter de participar disso'

Redação - O Estado de S.Paulo

O príncipe tinha apenas 12 anos quando a mãe morreu, mas teve de participar da marcha fúnebre ao lado do irmão, William, enquanto eram assistidos por milhões de pessoas

Príncipe Harry disse que ele e seu irmão, William, querem manter o trabalho de rainha Elizabeth nos últimos 60 anos. 

Príncipe Harry disse que ele e seu irmão, William, querem manter o trabalho de rainha Elizabeth nos últimos 60 anos.  Foto: REUTERS/Andrew Parsons/Pool

Quando a princesa Diana morreu, em agosto de 1997, Harry tinha apenas 12 anos. Entretando, no dia de seu funeral, ele teve de fazer uma longa marcha fúnebre ao lado de seu irmão, William, e de seu pai, o príncipe Charles. Esse momento nunca saiu da memória de Harry, que falou sobre o assunto numa entrevista à News Week.

"Minha mãe tinha acabado de morrer, e eu tive de fazer uma longa caminhada atrás de seu caixão, cercado de centenas de pessoas me assistindo, enquanto mais outras milhões assistiam na televisão. Eu não acho que crianças deveriam ter de participar disso, sob nenhuma circunstância. Eu não acho que isso aconteceria hoje", relembrou.

Na entrevista, o príncipe disse que a morte de sua mãe influenciou em suas atitudes para o resto da vida e que, ao evitar lidar com seus problemas psicológicos por anos, ele acabou tendo alguns problemas, como bebida e cigarro em excesso.

Quando ele tinha 20 e poucos anos, resolveu mudar. "Eu precisava consertar os erros que estava cometendo". Em abril deste ano, Harry revelou que, ao descontar o sofrimento pela morte da mãe em bebidas, escondeu problemas que levaram a dois anos de "caos total". Aos 28 anos, ele procurou ajuda psicológica profissional pela primeira vez.

"Minha mãe morreu quando eu era muito jovem. Eu não queria estar na posição que estava, mas eu eventualmente tirei meu coração do escuro, comecei a ouvir as pessoas e decidi usar o meu papel para o bem. Agora estou usando minha energia e amor para a caridade, conhecendo pessoas e fazendo-as rir. Às vezes, eu ainda quero viver num aquário, mas agora lido melhor com isso. Às vezes eu não sou tão 'bonzinho' assim, mas eu aproveito e é assim que me relaciono com pessoas que estão com problemas", disse ele à revista.

Uma das prioridades de Harry é manter uma vida comum. "Minha mãe teve um grande papel nisso, inclusive ao levar eu e meu irmão para conhecer moradores de rua. Ainda bem que não sou completamente alheio à realidade. As pessoas ficariam impressionadas com a vida comum que eu e William levamos. Eu faço minhas próprias compras, eu estou realmente determinado a ter uma vida relativamente normal e, se eu tiver sorte de ter filhos, eles também terão. Mesmo se eu fosse rei, faria as minhas próprias compras", comenta Harry.

O príncipe ainda falou à News Week sobre a importância que a monarquia britânica tem no mundo. "Nós não queremos acabar com a magia. Os britânicos e todo o mundo precisam de instituições como essa. A monarquia é uma força do bem e nós queremos continuar com a atmosfera positiva que a rainha conseguiu por 60 anos, mas não vamos tentar substituí-la. Nós estamos envolvidos na modernização da monarquia britânica. Nós não estamos fazendo isso por nós, mas pelo bem da maioria... Há alguém da família real que quer ser rei ou rainha? Eu acho que não, mas nós vamos cumprir nossos cargos quando for a hora", completou.

A entrevista completa pode ser lida, em inglês, no site da News Week.