Ex-Pussycat Dolls denuncia abusos e diz que banda era 'rede de prostituição'

Redação - O Estado de S.Paulo

Kaya Jones integrou o grupo entre 2003 e 2005, e usou suas redes sociais para revelar o passado sombrio das cantoras

Kaya Jones (centro) integrou o Pussycat Dolls entre 2003 e 2005

Kaya Jones (centro) integrou o Pussycat Dolls entre 2003 e 2005 Foto: Instagram/@kayajones

A cantora Kaya Jones, ex-integrante do Pussycat Dolls, usou as redes sociais para denunciar abusos sexuais na indústria musical norte-americana. Jones publicou que as integrantes da banda eram obrigadas a dormir com executivos para conquistarem espaço, e que a girl band era, na verdade, uma "rede de prostituição". 

"Minha verdade é que eu não estava em um grupo de garotas. Estava em uma rede de prostituição. Oh, e por acaso nós cantávamos e éramos famosas. Enquanto todo mundo que era nosso dono ganhava dinheiro", escreveu Kaya no Twitter.

"Para ser parte do time, você deve ser um jogador do time. O que significa dormir com quem eles dissesem. Se você não o faz, eles não têm nada para te alavancar. Sim, eu disse alavancar. O que significa que depois que eles te expulsam ou te deixam envolvido com drogas, eles usam isso contra você. Correto. Vitimizando a vítima de novo", acrescentou. 

As acusações de Kaya ocorreram em meio aos rumores de retorno do grupo e também à onda de denúncias de abuso sexual envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein. Entre as vítimas estão Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevingne e Lea Seydoux. 

"'Quão ruim era?', as pessoas perguntam. Ruim o suficiente para eu me afastar dos meus sonhos, colegas e banda e de um contrato de 13 milhões de dólares com a gravadora. Nós sabíamos que seríamos número 1 nas paradas", acrescentou Kaya.

A cantora de 33 anos participou da banda entre 2003 e 2005, período em que a Pussycat Dolls chegou a ter nove integrantes. Foi nessa época que a líder Nicole Scherzinger se juntou ao grupo, saindo somente em 2010. Mais famosa entre as Pussycat Dolls, Nicole não se pronunciou sobre o ocorrido.

Kaya também chamou atenção para o suicídio da ex-integrante Simone Battle, em 2014, e pediu explicações a Robin Antin, produtora e fundadora da banda. 

''Eu quero que a 'mãe do inferno' confesse porque outra de suas garotas cometeu suicídio. Conte ao público porque você nos quebrou mentalmente. As crianças com quem vocês brincaram sobreviveram ao abuso, nós somos adultas agora. Vocês estão prontos para lutar? Porque todos vocês estão muito velhos'', disparou Kaya. 

Em entrevista ao The Blast, Antin rechaçou as acusações, chamando-as de "mentiras ridículas e nojentas" e acusando Kaya de trazer o assunto à tona para ter "15 minutos de fama". 

Questionada sobre as razões de não ter denunciado os supostos abusos à época, a cantora afirmou que tentou levar o caso aos executivos de Hollywod, em 2004, e à imprensa em duas oportunidades - logo após sua saída, em 2005-2006, e em 2011, mas que não foi ouvida.

"Espero que vocês possam me ouvir agora em 2017", completou.