Charlize Theron fala da infância traumática ao testemunhar a morte do pai

Redação - O Estado de S.Paulo

Os pais da atriz tinham uma relação conturbada, e a mãe dela atirou contra o marido que era alcoólatra

Atriz passou por terapia para conseguir lidar com a morte do pai e falar abertamente sobre o caso.

Atriz passou por terapia para conseguir lidar com a morte do pai e falar abertamente sobre o caso. Foto: Stephane de Sakutin / AFP

Enquanto fazia a divulgação do filme Anatomic Blonde em entrevista ao locutor de rádio Howard Stern, Charlize Theron, uma das estrelas do longa, voltou a falar da infância traumática ao testemunhar a relação turbulenta entre os pais dela.

O pai alcoólatra agredia a mãe dela, Gerda, e era verbalmente agressivo com a própria Charlize. Em 2004, em entrevista a Diane Sawyer, a atriz sul-africana, de 41 anos, falou sobre ele voltar bêbado para casa quando ela tinha 15 anos e disparar uma arma no quarto dela. A mãe de Charlize atirou nele para fazê-lo parar, e a Justiça concordou que o ato foi em autodefesa.

Charlize contou a Stern que demorou muito tempo para lidar com a morte do pai. "Eu apenas fingi que aquilo não aconteceu. Eu não contei para ninguém, eu não quis contar para ninguém. Sempre que me perguntavam, eu dizia que meu pai tinha morrido em um acidente de carro. Quem quer contar aquela história? Ninguém quer", disse.

Em parte, o medo de Charlize pela reação dos outros era o que a impedia de falar abertamente sobre a tragédia. "Eles não sabem como responder a isso, e eu não queria me sentir como uma vítima. Eu lutei com isso por muitos anos até que comecei a fazer terapia", contou. O tratamento começou quando ela tinha quase 30 anos.

Segundo ela, embora a morte em si tenha sido traumática, foi o estresse diário e o medo de morar com um pai alcoólatra e abusivo que tiveram mais impacto na vida dela.

Charlize também falou sobre a admiração que sente pela mãe e como ela (Gerda) lidou com a situação. "Eu tenho uma mãe incrível. Ela é uma inspiração enorme na minha vida. Ela nunca fez terapia. Então é uma mãe que nunca fez terapia e lida com uma coisa dessas, tentando tirar seu filho dessa. A filosofia dela era 'Isso é horrível. Reconheço que é horrível. Agora faça uma escolha: isso vai definir você? Você vai afundar ou vai nadar?' Era isso", contou.