5 coisas que não vão acontecer com você só por causa da idade

Gabriela Carelli - O Estado de S.Paulo

Sua vida sexual não será uma lástima, sua criatividade e desempenho intelectual não rolarão ladeira abaixo e a depressão não vai bater na sua porta só porque você está ficando mais velho

Aos 84 anos, o ator e diretor Clint Eastwood ainda esbanja charme e tem disposição suficiente para encarar um projeto novo e desafiador

Aos 84 anos, o ator e diretor Clint Eastwood ainda esbanja charme e tem disposição suficiente para encarar um projeto novo e desafiador Foto: Divulgação

Deus Chronos costuma ser implacável em muitos aspectos. Em algum ano da sua quinta década de vida, por exemplo, você, ao se olhar no espelho, terá a impressão de que seu nariz e suas orelhas estão maiores. E não será apenas impressão. O nariz e as orelhas crescem, sim, isso é coisa da idade, algo que só a cirurgia plástica é capaz de reverter. Pois é, ficar mais velho implica em uma série de mudanças. Algumas são inevitáveis. Outras, como as cinco descritas a seguir, podem acontecer, mas não só porque você está ficando mais velho.

Criatividade e ânimo para encarar novos projetos são características dos jovens

Dê uma olhada em Clint Eastwood. Aos 84 anos, o ator e diretor ainda esbanja charme e tem disposição suficiente para encarar um projeto novo e desafiador. No ano passado, ele dirigiu o primeiro musical de sua carreira: Jersey Boys, Em Busca da Música. Não faltam exemplos de homens e mulheres assim. Afinal, nada disso - a tal falta de ânimo, de criatividade, a perda de memória e de desempenho intelectual - é inerente ao passar dos anos, como costumam dizer por aí. Os jovens processam informações mais rápido, é fato, porém os mais velhos são mais focados, possuem mais conhecimento, cultura e experiência, o que torna suas criações muitas vezes melhores do que as de pessoas com metade de suas idades. E a falta de ânimo e de vontade de testar coisas diferentes? Mais uma mentira. Quanto menos tempo temos, mais temos vontade de não disperdiçá-lo.

A partir dos 50 anos sua vida sexual ficará ruim. A partir dos 60, será uma lástima (se ainda houver uma…)

Há bastante exagero nisso. A idade não torna os homens impotentes nem extermina o desejo feminino. Claro que na quinta ou sexta década de vida, com a queda dos níveis hormonais, é praticamente impossível manter a mesma frequência sexual e a mesma libido dos 20 ou 30 anos (alguém em sã consciência se impõe tal meta?). Mas as velinhas que cobrem quase todo o bolo de aniversário não são desculpa para fechar o parque de diversões. Segundo especialistas, estresse, diabetes, hipertensão, falta de sono e relações falidas são os principais causadores da falta de sexo, não a idade. Uma queda acentuada na libido, por exemplo, só acontece, de fato, em pessoas saudáveis, depois dos 75 anos. Até lá, com boa alimentação, exercícios e outros bons hábitos não há razões para se tornar celibatário.

A depressão baterá na sua porta, mais dia menos dia

A ciência já desmentiu esse mito sobre o envelhecimento. A maioria dos adultos com mais de 60 anos não sofre de depressão e não vai sofrer da doença aos 70 ou 80 anos só por causa da velhice. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças do NIH, o órgão de saúde dos Estados Unidos, a prevalência de depressão em pessoas com mais de 60 anos ou mais é menor do que em qualquer outro grupo etário. Outro mito é o de que a depressão nos mais velhos costuma ocorrer por motivos psicológicos, como a perda do cônjuge e de entes queridos. Na maioria dos casos em que há, de fato, depressão, a doença é desencadeada por outras enfermidades, como enfarte, derrame, diabetes e fraturas.

Estamos fadados a ter as mesmas doenças dos nossos pais - a genética é implacável

Se você acha que está fadado a ter pressão alta porque seu pai teve ou a desenvolver diabetes porque sua avó e sua mãe sofreram com a doença, relaxe. A tendência de sofrer de um desses males é, sim, transmitida de pais e mães para seus filhos, geneticamente. Mas é só uma tendência. Os nosso genes, os do bem e os do mal, são ligados ou desligados de acordo com os nossos hábitos e estilo de vida.

É impossível ser otimista e se sentir bem com a decadência física e com proximidade da morte

Mais uma mentira deslavada. Tudo bem que qualquer mortal lúcido não quer virar um velho decrépito, mas, para a maioria das pessoas com um pouco de bom senso (não estamos falando de Renée Zellweger, obviamente), as rugas, as gordurinhas e a flacidez não são um problema enorme e perturbador como as pessoas costumam achar quando têm 30, 40 anos.

Os mais velhos relatam frequentemente que se tornam menos exigentes consigo mesmos e menos preocupados com a opinião dos outros com o passar dos anos - sem perder a vaidade, que na medida certa é essencial. A ideia de que a perspectiva da morte passa a assombrar os idosos é outra besteira. Primeiro porque, depois de viver uma vida inteira, é mais fácil aceitar melhor a ideia de que tudo, inclusive a nossa existência, um dia acaba, tem um fim. Estudos comprovam essa teoria. Segundo uma pesquisa realizada no ano passado pelo Centro de Longevidade da Universidade Stanford, o otimismo e a sensação de bem-estar e de felicidade aumentam com o envelhecimento, atingindo o ápice aos 70 anos.