Quadro de 1860 faz sucesso porque pessoas estão vendo um smartphone na tela

Redação - O Estado de S.Paulo

Forma de interpretar a pintura pode estar associada ao contexto que vive a sociedade - todos têm celular

Pintura 'O Esperado', de Georg Waldmuller. 

Pintura 'O Esperado', de Georg Waldmuller.  Foto: Die Erwartete, Georg Waldmuller/Wikimedia Commons

Uma mulher caminha tranquilamente enquanto segura, com muito cuidado, um objeto entre suas mãos. Essa é uma cena vista diariamente, e entre as mãos, claro, um smartphone. Ou não tão claro asssim, se a imagem for uma pintura feita em 1860. 

A imagem O Esperado (The Expected One), do artista escocês Ferdinand Georg Waldmüller, está causando um rebuliço porque as pessoas estão vendo um celular entre as mãos da camponesa. Mas como?

À Vice, Peter Russell, ex-funcionário do governo escocês e autor de um blog de poesia, comentou que uma das explicações seria que as pessoas entendem as situações de acordo com o que está em seu contexto. Se a sociedade vive "a era do smartphone" seria quase intuitivo ver um celular, mesmo em um quadro de 1860. 

No Twitter, o repórter Brian Anderson questionou se todos veem um celular. Os usuários mais atentos notaram que o objeto guardado entre as mãos é uma bíblia ou um livro religioso, como era comum na época retratada na pintura. 

O debate acontece também no quadro Mr. Pynchon and the Settling of Springfield (Mr. Pynchon e a Colônia de Springfield , em tradução livre), de 1937, no qual um homem parece usar um celular para fazer uma selfie.  O problema é que na época nem internet tinha.