Professora de biologia faz sucesso no Facebook ao rebater transfobia

- O Estado de S. Paulo

Não use a ciência para justificar seu preconceito', afirma Grace Ann

Regras do que o Facebook pode ou não fazer com dados de usuários estão nos Termos e Condições de Uso

Regras do que o Facebook pode ou não fazer com dados de usuários estão nos Termos e Condições de Uso Foto: REUTERS/Dado Ruvic

Grace Ann é uma professora de biologia no estado de Nova York que está fazendo sucesso no Facebook. Ela postou em sua perfil a resposta a um comentário transfóbico nas redes alegando que machos são apenas animais com cromossomos XY e fêmeas, somente seres com cromossomos XX. O argumento é muito utilizado para defender pontos de vista homofóbicos e transfóbicos. 

O post, publicado no dia 2, tem mais de 47 mil aprovações e quase 30 mil compartilhamentos. Nele, Grace usa fatos científicos do reino animal para dizer que o gênero não é tão simples quanto parece.

“Em primeiro lugar, em uma espécie sexual, você pode ter fêmeas XX e machos X (insetos), você pode ter fêmeas ZW e machos ZZ (pássaros), você pode ver fêmeas serem fêmeas porque se desenvolveram em um ambiente quente e os machos serem machos porque se desenvolveram em um ambiente frio (répteis)“, diz Grace. 

Aos poucos, a professora de biologia desconstrói o argumento. "Você pode ter fêmeas sendo fêmeas porque perderam o pênis em uma luta (alguns vermes), você pode ter machos sendo machos porque nasceram fêmeas, mas mudaram de sexo porque o único macho do grupo morreu (peixe-papagaio e peixe-palhaço)", segue a professora.

"Você pode ter machos que parecem e agem como fêmeas porque estão tentando se aproximar das fêmeas e, assim, copular com elas (chocos, bluegills e outros [animais marinhos]), ou você pode ter milhares de sexos (mofo, alguns cogumelos)", diz Grace. 

Em seguida, ela foca a discussão em seres humanos. "Ah, você quis dizer humanos? Ok, então. Você pode ser macho porque nasceu fêmea, mas tem deficiência na produção de 5-alfa-redutase e só desenvolve o pênis aos 12 anos", diz a professora de ciências. "Você pode ser fêmea porque tem um cromossomo X e Y, mas você é insensível a andrógenos [hormônio], então você tem um corpo feminino", continua. 

"Você pode ser fêmea porque tem os cromossomos X e Y, mas o Y não tem o gene SRY, então você tem um corpo feminino. Você pode ser macho porque tem dois cromossomos X, mas um dos X TEM um gene SRY, então você tem um corpo masculino", escreveu Grace. "Você pode ser fêmea porque tem um único cromossomo X. E você pode ser macho porque tem dois cromossomos X, mas seu coração e cérebro são masculinos. E vice-versa". 

Ao fim, a professora de biologia conclui: "Não usa a ciência para justificar seu preconceito. O mundo é bastante estranho para isso". 

Confira o post em inglês: