'Pizzajé' criado por baiana recebe encomendas até de São Paulo

André Carlos Zorzi - O Estado de S.Paulo

Cris Santos estava desempregada quando decidiu misturar pizzas com acarajé e abará

Cris Santos ao lado de sua criação

Cris Santos ao lado de sua criação Foto: Imagem cedida por Cris Santos

A estudante de gastronomia Cris Santos, de Salvador, usou a criatividade para se livrar do desemprego: criou a 'pizzajé' e o 'pizzará', pratos que são uma espécie de pizza de acarajé e de abará, iguarias tipicamente baianas.

A soteropolitana, que também é formada em ciências sociais e tecnologia e processamento de dados, conta que tudo começou quando estava sem dinheiro, e um amigo a chamou para fazer abarás para venderem. Antes da ideia ser colocada em prática, porém, ele conseguiu um emprego.

Mesmo assim, Cris fez um disco de pizza com ingredientes da massa de abará, com recheio de camarão seco: "Fiz em casa e ofereci para minha família. Todo mundo ficou maravilhado, falaram para vender. R$ 25 paga direitinho. Eu tinha dinheiro para mais uma pizza. Fiz, e, com o dinheiro, comecei a vender".

De acordo com ela, o negócio foi ajudado pelas redes sociais. Após postar a foto do prato em seu Facebook, as pessoas começaram a se interessar e compartilhar. Pouco depois, perguntavam por que não havia pizza de acarajé, e foi então que a personal chef, como se intitula, criou a 'pizzajé'.

'Pizzajé' e 'pizzará'

'Pizzajé' e 'pizzará' Foto: Imagem cedida por Cris Santos

"O acarajé é patrimônio imaterial. A palavra é de origem africana e significa 'bola de fogo', por isso é uma bolinha com a cor avermelhada. Não seria justo pegar uma bola de fogo e amassar, dando outro nome. Seria até uma falta de respeito! Então tive que alterar a receita base, mas isso é uma coisa que eu não abro", comenta.

A cozinheira conta que, há um ano, vendia cerca de 30 pizzas por semana, mas a quantidade cresceu: "Vende direitinho, dá para pagar as contas". O sucesso foi tamanho que Cris chegou a vender outros produtos e até a fazer parceria com revendedores em outras cidades, como Alagoinhas e Camaçari. Além disso, ela envia o prato congelado até para outros estados, através de entregas rápidas.

"A história de mandar para outros estados começou com um amigo que mora em São Paulo. Na época, a esposa dele estava grávida, e ele disse: 'Cris, dá um jeito e manda pra cá!'. Aí formou um grupo e a gente começou a mandar. Não leva só para um, leva para cinco, seis, pra turma toda dividir", conta.

E aí, ficou com água na boca?