Pais evangélicos contam como apoiaram a transição de gênero da filha

Redação - O Estado de S.Paulo

Eles se preocupavam com a saúde mental da menina, que tentou se matar por conta dos conflitos internos

Criança transgênero tem apoio de família evangélica.

Criança transgênero tem apoio de família evangélica. Foto: Pixabay/nancydowd

Os pais de uma menina transgênero contaram como eles apoiaram a transição de gênero da filha e temiam pela saúde mental dela. Rebekah, hoje com 10 anos, tentou se matar quando era mais nova.

A menina e a mãe, Jamie Bruesehoff, de New Jersey, fizeram da missão delas espalhar assuntos relacionados aos transgêneros a partir da própria experiência.

Desde que começou a transição, a menina tem feito campanhas, discursos e ido a marchas em prol dos direitos dos transgêneros.

Jamie e o marido, o pastor evangélico Christopher Bruesehoff, disseram que eles têm apoiado Rebekah desde que ela tinha dois anos. "Rebekah sempre foi de um gênero não confirmado. Desde que tinha dois ou três anos, ela transitava por coisas tipicamente femininas", disse a mãe ao Daily Mail.

"Eu sempre me preocupei com as reações sobre Rebekah, seja na comunidade, na igreja ou no mundo. Eu estou muito preocupado sobre como o mundo vai tratá-la porque eu vejo muitas coisas ruins no mundo", disse o pai.

Conforme os anos foram passando, a menina começou a buscar pela própria identidade e por palavras que a descrevessem. Consequentemente, os pais perceberam que a felicidade estava diminuindo.

"Quando ela estava com 7 anos, tudo isso chegou a um ponto crítico: sua ansiedade era paralisante e a depressão estava se tornando ameaçadora", conta Jamie.

"Nós víamos como ela se sentia cada vez mais desconfortável no próprio corpo e confusa sobre o lugar dela no mundo", relatou a mãe. "Nos deparamos com uma criança de 7 anos que queria morrer. Uma vez, ela socou a janela do segundo andar e tentou pular", conta.

Seguindo a orientação do médico e conselheiro da família, os pais de Rebekah puderam ajudá-la. Com o auxílio de uma especialista em gênero, a menina conseguiu se desvencilhar das camadas que a cobriam, e a família soube que ela não era um menino que gostava de rosa - ela era uma menina.

"Eu quero fazer a diferença no mundo ao falar e espalhar mensagens de esperança. Quero passar a mensagem de que 'você não está sozinho e você está seguro' para outras crianças transgêneros", disse Rebekah.

Jamie fez um relato no HuffPost sobre como Rebekah é uma filha amada enviada por Deus para a família dela. Além disso, ela mantém um blog em que conta todas as experiências com a menina.