Mulheres trans competirão na maratona de Boston pela primeira vez

redação - O Estado de S.Paulo

Pelo menos três corredoras estão entre os participantes; política divide especialistas

Política permitia participação de transgêneros 'há anos', segundo associação de Boston.

Política permitia participação de transgêneros 'há anos', segundo associação de Boston. Foto: skeeze/Pixabay

Mulheres transgênero vão competir, pela primeira vez, na próxima Maratona de Boston no grupo do gênero com o qual se identificam. A corrida está marcada para segunda-feira, 16.

Embora a política esteja em vigor há anos, segundo a Associação Atlética de Boston, é a primeira vez que pelo menos três mulheres trans participam da corrida, como divulgou a revista Canadian Running.

Stevie Romer, de Woodstock, em Illinois, Amelia Gapin, de Jersey City, em Nova Jersey, e Grace Fisher, de Hancock, em Maryland, são as mulheres declaradas transgênero aceitas na maratona que é considerada a de maior prestígio no mundo.

Em um comunicado ao National Public Radio, a organização disse que não sabe quantas pessoas trans vão participar da corrida, pois não exigem que "descrevam seu histórico de identidade de gênero". "Sabemos que tivemos vários corredores transgêneros no passado", disse a nota.

Discussão. Críticos levantaram a questão de que a testosterona (hormônio masculino) dá às mulheres trans uma vantagem física substancial. Os defensores da participação delas, porém, argumentam que a terapia de reposição hormonal reduz qualquer vantagem que possam ter.

Essa reposição consiste em aumentar os níveis de estrogênio (hormônio feminino) e bloquear a testosterona. Isso faz com que as mulheres trans experimentem uma diminuição na massa muscular e um aumento no armazenamento de gordura - o que reduz a capacidade atlética geral.

Em 2016, o Comitê Olímpico Internacional mudou sua resolução sobre atletas transexuais em competições oficiais. A alteração permitiu que mulheres trans participassem dos Jogos Olímpicos desde que os níveis de testosterona estivessem dentro do recomendado, ou seja, até 10 nanomol por litro de sangue.

No Brasil, o debate veio à tona com mais força no esporte com Tiffany Abreu, primeira mulher trans a integrar a Superliga de vôleiEspecialistas se dividem contra e a favor de a jogadora disputar na competição, mas exames comprovam que ela está dentro da lei e pode competir entre mulheres.

Para a Maratona de Boston, os competidores trans não têm a necessidade de passar por terapia de reposição hormonal para correr. A exigência será mostrar um documento de identidade, o que é uma luta para algumas pessoas trans e não binárias que enfrentam burocracia para ter os registros alterados para o gênero com o qual se identificam.