Mulher relata como começou a amar seu corpo apenas aos 68 anos

- O Estado de S.Paulo

Britânica, hoje dona de uma marca e de um canal de maquiagem para mulheres mais velhas, relata como via seu corpo em diferentes fases da vida

Tricia Cusden passou quase 70 anos tendo uma má-relação com o próprio corpo.

Tricia Cusden passou quase 70 anos tendo uma má-relação com o próprio corpo. Foto: Pixabay

Nossa relação com o corpo é o único casamento que não iremos terminar: ele nos acompanha 24 horas por dia ao longo de nossa vida. Esse relacionamento duradouro foi bastante tortuoso para a britânica Tricia Cusden. Em um artigo confessional escrito para o Daily Mail, ela conta como passou a vida rejeitando suas formas. Foi apenas aos 68 anos que, enfim, ela fez as pazes consigo. 

Dona de um canal de maquiagem no Youtube para mulheres mais velhas e fundadora da Look Fabulous Forever, uma marca de maquiagem para o mesmo público, Tricia revela que sempre sofreu a pressão de ser magra, muito antes das redes sociais e dos filtros do Instagram. Apesar do corpo esguio que sempre teve, ela jamais conseguiu enxergar a si mesma como uma mulher bonita. Sua forma ideal sempre parecia estar um passo à frente. 

"Há 50 anos, as coisas não eram muito diferentes para nós, hoje avós. A baixa autoestima porque você não estava perto da magreza e das pernas compridas de modelos como Twiggy, Jean Shrimpton e Pattie Boyd era muito frequente", diz a empreendedora. 

Em seguida, ela comenta como era normal que as mulheres se submetessem a dietas rigorosas de "uma maçã" por dia. Ela mesma, diz, era uma dessas jovens que enfrentava regimes de 1 mil calorias por dia seguidos de surtos de compulsão alimentar, nos quais comia fatias e mais fatias de pão com xarope de bordo - uma resposta natural do organismo que, privado de calorias, exige alimentos com alto teor de açúcar e gordura para repor as energias. 

Aos 20 anos, Tricia rejeitava o corpo, apesar de ser extremamente magra. Aos 30, quando já era mãe, seguia com a mesma visão do corpo. "Eu me pesava todos os dias, convencida de que estava a apenas alguns quilos da obesidade", confessa. 

Foi por volta dos 40 anos que a empreendedora começou, aos poucos, a mudar a forma como se encarava - não para uma aceitação, mas para uma indiferença. Ao se formar na faculdade e começar a trabalhar como consultora de empresas, após 11 anos vivendo como dona de casa e cuidando dos filhos, Tricia viu sua confiança dar um salto. "Não que eu tivesse tido uma epifania e percebido que meu corpo era bom do jeito que estava. Só substituí o nojo pela indiferença, porque não tinha mais a energia para a aversão comigo mesma", afirma. 

Tricia evitava até mesmo fazer exercícios, para não lidar com o corpo. Mas, aos 68 anos, após a menopausa, a autoaceitação finalmente começou a aparecer. Prestes a completar, a britânica percebeu que, se não aprendesse a se amar agora, não se amaria nunca. 

"Meu corpo merece meu amor. Eu devo cada segundo a ele. Ele carregou minhas duas filhas, levando elas com segurança aos meus braços, e me carregou para cada passo que dei na vida", argumenta.

Por fim, ela se arrepende de ter sido tão rígida consigo durante décadas. "Eu gostaria de voltar à mulher jovem naquelas velhas fotografias, que se sentia tão insegura com a forma como ela aparecia, e convencê-la do que sei hoje: não importa o quanto eu sentia que meu corpo estava imperfeito, ele sempre estava muito melhor do que o necessário.