'Eu nunca pensei que fosse acontecer comigo', diz vítima de assédio por professor

Hyndara Freitas - O Estado de S.Paulo

Em seus primeiros semestres no curso de psicologia, Mariana viu docentes assediarem alunas no meio da sala de aula sem qualquer vergonha

Alunas e ex-alunas relatam assédios sofridos por professores e funcionários das universidades.

Alunas e ex-alunas relatam assédios sofridos por professores e funcionários das universidades. Foto: Aidan Meyer_Stocksnap

A ex-aluna Mariana (nome fictício) estudou psicologia na Universidade Anhembi Morumbi e relatou que havia um professor, mais velho e casado, que assediava não só ela mas diversas alunas. "No meio da aula, se alguma aluna 'bonita' levantava para ir ao banheiro, ele parava de falar e ficava olhando a menina sair para olhar a bunda dela", relembra.

"Uma vez, fui de calça legging e, quando dei a mão para comprimentá-lo, ele me virou para ver a minha bunda", disse. O caso ocorreu em 2012 e, como ainda estava nos primeiros semestres e a situação lhe pegou de surpresa, ela não soube como reagir e não denunciou à universidade. Uma colega de Mariana também foi vítima do mesmo professor, que a adicionou no Facebook e a chamou para sair.

Infelizmente, o docente não era exceção. A ex-aluna ainda relatou atitudes machistas de outro professor que dava aula no mesmo curso. "Ele fazia piadas machistas de forma super natural em suas aulas. Um dia, ele tirou fotos de uma aluna e de seu corpo. Vendo a situação, um aluno foi confrontá-lo e ele disse, em tom de ameaça: 'Cuidado para não se prejudicar. Em quem você acha que vão acreditar, num aluno ou em mim?'". Os dois professores ainda lecionam na universidade.

"Acho que nunca tem como estar preparada para uma situação como essa, mas é importante refletir sobre esse tipo de situação antes que aconteça, para ter uma reação, coragem, porque eu congelei na hora que aconteceu comigo. Eu nunca pensei que fosse acontecer comigo", diz a ex-aluna. Ela ainda ressaltou que espera que a faculdade seja "mais aberta e acolhedora com os casos e que encontre punições". 

Instituição diz não tolerar. Em comunicado enviado pela assessoria de imprensa, a Universidade Anhembi Morumbi disse que repudia "qualquer tipo de preconceito político, religioso, étnico-racial e de gênero entre nossos estudantes, colaboradores ou quaisquer pessoas ligadas à universidade".

A instituição ainda disse que há uma estrutura para atender esse tipo de caso. "A resolução desses problemas compreende o atendimento com o coordenador e/ou direção do curso e Central de Atendimento ao Aluno. Além disso, nossos estudantes podem usufruir do apoio psicológico prestado no Centro Integrado de Saúde (CIS), que reúne um grupo multidisciplinar, com uma série de especialidades médicas, incluindo a Psicologia, bem como a Coordenadoria de Desenvolvimento Educacional, para acompanhamento psicopedagógico e apoio ao seu desenvolvimento enquanto discente. Vale ressaltar ainda que denúncias graves requerem procedimentos de sindicância para investigação dos fatos e, posteriormente, decisão da Reitoria sobre uma possível aplicação de sanções disciplinares previstas em Regimento Acadêmico", completa o comunicado.