Etiqueta depois da separação: Invente um compromisso no Dia das Mães

Jann Blackstone - Tribune News Service

Os rituais ajudam a cicatrizar a dor - e a celebração de feriados é uma maneira de preservar os rituais familiares

'No Dia das Mães, mais do que em todos os outros dias, quero agradecer a Judy por tudo o que ela faz por mim'

'No Dia das Mães, mais do que em todos os outros dias, quero agradecer a Judy por tudo o que ela faz por mim' Foto: Pixabay

Minha mãe biológica morreu quando eu tinha 5 anos, e dois anos mais tarde, meu pai se casou com uma mulher maravilhosa que me criou e sempre me fez sentir amada. Eu a considero minha mãe, embora nunca vá esquecer da minha mãe de verdade, mas todos os anos, por ocasião do Dia das Mães, minha tia (a irmã da minha mãe) quer que eu visite o cemitério onde minha mãe está enterrada e esqueça completamente de Judy. No entanto, no Dia das Mães, mais do que em todos os outros dias, quero agradecer a Judy por tudo o que ela faz por mim, e todos os anos, isto acaba gerando um problema. O que manda a etiqueta neste caso?

Depois de uma separação, os membros da família frequentemente encontram problemas semelhantes ao que você descreve. Por exemplo, onde passamos o Natal? Na casa da mamãe ou do papai? Neste caso, é: Onde devo passar o Dia das Mães, com os parentes do lado da mamãe ou com Judy?

Se você pensar bem, ambos os lados merecem sua compreensão, e o problema no caso é o que cria problemas para a família do coração - a comparação. É o fato de se comparar a mãe à madrasta, papai ao padrasto, etc., e a verdade é que não se trata absolutamente de ter de optar: ou isto ou aquilo. E sim, um e outro. Quando sua família adquirida se torna sua família do coração, todo o conceito consiste em reconhecer o valor e a contribuição de cada membro da família e jamais comparar um ao outro. Você percebe que, não se trata de uma competição, mas parece que sua tia tem medo de que a memória de sua amada irmã se perca, por isso, talvez se sinta um pouco desesperada na época do Dia das Mães.

Há duas coisas que talvez possam ajudar: em primeiro lugar, tenha uma conversa com sua tia e lembre a ela que você jamais esquecerá de sua mãe. Você chama Judy pelo nome, e não de mamãe. Isto demonstra o respeito que você tem por sua mãe. Também pareceria menos ameaçador para ela se você descrevesse Judy como a pessoa que lhe deu um grande amparo, e não como a mulher perversa que substituiu sua mãe sem respeitar sua posição sagrada de mãe.

Em segundo lugar, os rituais ajudam a cicatrizar a dor - e a celebração de feriados é uma maneira de preservar os rituais familiares. Diante disso, pense na possibilidade de reservar outro dia que não o Dia das Mães para cultuar a lembrança viva de sua mãe. Sugiro isto como alternativa à disputa para decidir com quem passar o feriado, qualquer um deles, depois de uma perda. Mesmo após tanto tempo, sua tia talvez precise de uma maneira especial de lidar com sua própria dor, e não há ninguém como você com quem ela queira compartilhar a saudade enorme que sente pela irmã. Faça a visita ao cemitério com ela como parte deste dia e lembre algo de que sua mãe gostava de fazer. Sugiro que escolha outra data que não o aniversário de sua morte, e nesse dia para comemorar a vida dela todos os anos . Outras pessoas poderão acompanhá-la, mas talvez seja interessante que você o passe com sua tia, somente vocês duas.

Ou, você também pode fazer o contrário... reserve o Dia das Mães para a sua mãe e tia e estabeleça uma data especial somente para você e Judy para comemorarem o que vocês significam mutuamente uma para a outra. Está aí um compromisso, basta descobri-lo. Este é um bom exemplo de etiqueta após a separação dos pais.

Tradução de Anna Capovilla