'Estou pagando para me sentir desconfortável por causa de um professor?', questiona aluna assediada

Anita Efraim - Especial para O Estado de S. Paulo

Docente a abordou por Facebook e também a constrangeu durante atividade extracurricular

Alunas e ex-alunas relatam assédios sofridos por professores e funcionários das universidades.

Alunas e ex-alunas relatam assédios sofridos por professores e funcionários das universidades. Foto: Aidan Meyer_Stocksnap

Enquanto andava na rua, Olívia (nome fictício) viu seu professor em um bar próximo. Por sentir que não tinha intimidade o suficiente, ela preferiu não cumprimentar e achou que ele também não a havia visto. “Quando voltei para casa, tinha uma mensagem dele no meu facebook dizendo o seguinte: ‘passa, reconhece, e nem dá oi?’. Na hora eu já saquei que tinha coisa estranha aí e respondi por educação”, relata a aluna de jornalismo da ESPM-SP.

Olívia pediu desculpas e o professor respondeu: “só perdoo se você vier tomar uma cerveja comigo da próxima vez". Ela preferiu ser seca, ele insistiu na conversa e, por fim, a aluna achou melhor ignorá-lo e excluí-lo de seu Facebook.

No entanto, o ‘corte’ de Olívia não foi suficiente para impedir o professor de constrangê-la. Durante uma atividade da faculdade, ele entrou na sala e deu oi, mas a aluna preferiu não responder. “Ele entrou e eu gelei. Falou ‘oi, tudo bom?’ para todo mundo e eu nem olhei na cara dele. Então, ele disse: ‘a principal finge que não é com ela’.” Olívia diz que, na hora, sua única vontade era sumir.

“Ele me expôs no meio daquele monte de gente”, desabafa. Outro dia, em frente a secretaria, ela esperava uma amiga quando o professor passou e arrumou uma desculpa para falar com ela. “Eu fiquei super nervosa, vermelha, respondi e ele me cumprimentou de beijinho, eu me senti enojada, quis me limpar.” No mesmo dia, ela deixou de participar de uma atividade extracurricular para evitar encontrá-lo.

“Eu ficava inconformada porque meu pai paga caro nessa faculdade e é um lugar que eu estou pagando para me sentir desconfortável por causa de um professor dando em cima de mim? Não tá certo. Ali é um lugar para eu me sentir acolhida, para eu aprender”, desabafa.

Depois de algum tempo, quando tomou coragem, Olívia chegou a falar com a coordenadora de seu curso. “Ela ficou super inconformada, disse que eu deveria ter falado antes disso com ela. Pelo que eu interpretei, ela colocou panos quentes na situação, falou que eu deveria ter falado antes, mas não fez nada.”

Outro lado. Em nota, a ESPM-SP afirma que todos os casos de assédio, quando reportados, são enviados à Ouvidoria da instituição. Leia a nota na íntegra:

“A ESPM esclarece que todo e qualquer relato de assédio é imediatamente enviado à Ouvidoria da instituição, que conta com um Ombudsman ligado diretamente à presidência e com total autonomia para apurar e, se comprovado o indício, enviar o caso ao Conselho de Ética para que sejam tomadas as devidas providências.

A direção da ESPM informa ainda que repudia veementemente qualquer tentativa de assédio e, se comprovada tal conduta, assim como informado no Código de Ética, a pessoa - professor, funcionário ou aluno - está passível de exclusão da escola.”