Como desintoxicar após um divórcio

Judi Light Hopson, Emma H. Hopson e Ted Hagen - O Estado de S.Paulo

Livrar-se do veneno de tal dor e desapontamento pede uma desintoxicação consciente, mental

Está tentando se recuperar do sofrimento de um divórcio? Talvez você tenha desatado o nó recentemente, ou talvez o tenha feito anos atrás. Livrar-se do veneno de tal dor e desapontamento pede uma desintoxicação consciente, mental. Se não, suas emoções escuras corroerão a qualidade de sua vida.

Aprenda a rir dos relacionamentos da vida que não funcionam e siga em frente

Aprenda a rir dos relacionamentos da vida que não funcionam e siga em frente Foto: Nathan ONions/Creative Commons

Você terá de ser proativo(a), porém. Simplesmente decida o que você quer curar. Enquanto algumas pessoas podem dizer: "Nós nos separamos amigavelmente", a maioria dos divorciados não pode dizê-lo. Afinal, o divórcio é a morte de um relacionamento. Se você consegue ser indiferente sobre isso, talvez não tenha investido muito de si no relacionamento.

Para encerrar a questão e curar seu espírito machucado, tente as seguintes técnicas:

- Escreva uma carta a seu (sua) ex e despeje seu sofrimento. Não envie a carta. Apenas procure expressar como se sente sem esconder nada. Depois, rasgue a carta.

- Faça uma lista das incompatibilidades do casal. Quando reconhecer como você era "incompatível", isto o(a) ajudará a ver que o divórcio era o desfecho desta tensão. A separação não foi necessariamente uma espécie de ação deliberada partindo de um dos cônjuges.

Imagine com quem você combinaria. A vida não acabou, por isso imagine o tipo de pessoa que você gostaria de encontrar algum dia. A cura pode levar anos, mas ao menos tenha uma visão dos valores pessoais e traços de personalidade que consideraria atraentes. Essas medidas ajudarão a limpar as feridas. Vislumbrar uma nova relação no futuro alimenta as esperanças.

Desintoxicar emocionalmente após um divórcio implica um esforço para expurgar a negatividade de nosso pensamento. As emoções negativas têm de ir a algum lugar. Elas não podem permanecer no nosso íntimo, nos enlouquecendo. Podemos tentar nos livrar delas falando com um terapeuta, ou escrevendo num diário pessoal.

"A chave da cura é falar cada vez menos ao longo do tempo de nossos sofrimentos", diz um psicólogo a quem chamaremos Mark. Por exemplo, Mark diz a seus clientes que é imperativo que eles comecem a falar menos do(a) ex após seis meses aproximadamente.

"Peço para meus clientes usarem uma fita de borracha em volta do pulso", diz Mark. "Quando eles começam a pensar num(a) ex, devem estalar a borracha com força e dizer 'não' para si mesmos. Tenho um paciente que diz que isto funcionou tão bem que ele esqueceu sua ex por tempo suficiente para começar a sair com outras mulheres de novo. Ele estava divorciado há 10 anos!"

Emoções negativas precisam se dissipar com o tempo, porque elas podem facilmente criar raízes e causar seu impacto original de novo, segundo Mark. "A mente humana é um terreno muito fértil", revela Mark. "As pessoas tendem a se aferrar demais a experiências dolorosas, mas depois de um bom tempo, esses pensamentos começam a exalar pelos poros. Ela nunca atrairá amigos de mente sã, um parceiro de encontros viável ou bons parceiros de negócios na vida. Os maus pensamentos nos fazem emanar vibrações terríveis."

Desintoxicar de uma ruptura traumática, como depois de pegar o(a) ex traindo, requer o uso de uma certa fantasia, e humor também. Por exemplo, você pode se imaginar dando uma bela surra no(a) ex. Dê a surra mentalmente para dar vazão aos sentimentos fortes que estão explodindo em seu íntimo.

Mas após algumas sessões dessas surras em fantasia, use o humor para se colocar em terreno mais sólido. Aprenda a rir dos relacionamentos da vida que não funcionam e siga em frente.

Será que você já não perdeu tempo demais num navio afundando?

Judi Light Hopson é diretora executiva do site de gestão de estresse USA Wellness Cafe em www.usawellnesscafe.com. Emma Hopson é escritora e educadora em enfermagem. Ted Hagen é um psicólogo familiar.

Tradução de Celso Paciornik