Vídeo de cães amarrados a esteiras vira exposição de arte e causa polêmica nos EUA

reação - O Estado de S.Paulo

Duplas de cachorros correndo um de frente para o outro será parte de uma mostra em Nova York e material é acusado de crueldade contra os animais

Cães parecidos com pit bulls foram amarrados em esteiras para correr exaustivamente.

Cães parecidos com pit bulls foram amarrados em esteiras para correr exaustivamente. Foto: Pixabay

Um vídeo em que duplas de cães semelhantes a pit bulls aparecem amarrados a esteiras e correndo exaustivamente um de frente para o outro está gerando polêmica nos Estados Unidos. O material é parte de uma exposição de arte chamada Art and China After 1989 (Arte e China Depois de 1989).

O filme de sete minutos, intitulado Cachorros Que Não Podem Se Tocar, é uma das 150 peças da mostra que será exibida no Museu Guggenheim, em Nova York, a partir de 6 de outubro. A exposição traz, pelo menos, três outros conteúdos ou vídeos com animais vivos.

A peça foi criada pelo controverso casal de artistas Sun Yuan e Peng Yu e foi exibida pela primeira vez em Pequim, em 2003. Muitos grupos ativistas, inclusive artísticos, estão protestando contra a exposição.

A fotógrafa Sophie Gamand, que é defensora dos animais e tem projetos relacionados a cães, criou uma petição para dizer que a peça é cruel e não tem espaço na arte. Ela também lançou as hashtags #TortureIsNotArt e #GuggenheimTortureIsNotArt para criticar a decisão do museu de apresentar o vídeo.

"Arte tem o poder de provocar, desafiar e quebrar limites, e isso é incrível, nós precisamos defender isso. Mas nós também precisamos nos conter e nossas instituições são responsáveis pelo trabalho que está sendo disseminado e pela mensagem que está sendo colocada ali", disse Sophie ao Pix 11 News.

Em comunicado, a Sociedade Norte-Americana de Prevenção à Crueldade Animal disse que o vídeo perpetua o falso estereótipo de que os pit bulls são apenas instrumentos de luta e não o que eles realmente são: "animais afetuosos e leais que desejam nossa atenção e merecem casas seguras e amorosas".

Foi justamente para lutar contra esse estereótipo que Sohie Gamand criou o Pit Bull Flower Power, em que os animais da raça foram fotografados com coroas de flores na cabeça. O objetivo é incentivar a adoção deles.

Em nota, o museu defende a decisão de receber a exposição e afirma que não houve luta na mostra original e a apresentação no Guggenheim é apenas em formato de vídeo. "Refletindo o contexto artístico e político de seu tempo e espaço, Cachorros Que Não Podem Se Tocar é um desafio intencional e um trabalho de arte provocativo que busca examinar e criticar o sistema de poder e controle", diz.

O museu admite que a mostra pode ser perturbadora, mas persiste na ideia de reflexão do porquê os artistas criaram a peça e o que eles estariam dizendo sobre as condições sociais de globalização.

Um canal no YouTube de boicote à exposição postou o vídeo (as imagens podem ser fortes):