Corrupção derruba Brasil para vice-lanterna em ranking de influência global

Paulo Beraldo - O Estado de S.Paulo

Escândalos e crise econômica pesaram mais que o sucesso da Olimpíada de 2016 para a avaliação

Brasil caiu da 24ª posição, em 2015, para 29º, em 2017.

Brasil caiu da 24ª posição, em 2015, para 29º, em 2017. Foto: Ayrton Vignola/Estadão

O Brasil está na penúltima posição do índice Soft Power 30 um relatório anual que avalia a influência global não militar de 30 nações desde 2015. O relatório anual foi divulgado na última terça-feira, 18, e é elaborado pelo centro de diplomacia da Universidade da Carolina do Sul e pela empresa de relações públicas Portland Communications.

Os cinco primeiro colocados são França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Canadá. O Soft Power 30 avalia temas como atratividade para turistas, qualidade do governo, características da educação, nível de empreendimentos, cultura, engajamento global e desenvolvimento digital.

A França assumiu pela primeira vez o topo da lista e a eleição do presidente mais jovem do país, de 39 anos, somou-se a qualidades como o fato de ser o país mais visitado do mundo, com 82,5 milhões de turistas em 2016. A gastronomia e a cultura da França, apesar dos recentes atos terroristas, também foram destacados. 

Contra os Estados Unidos, líder no ano passado, pesaram a eleição de Donald Trump e suas posições nacionalistas. Já o Reino Unido perdeu o segundo posto devido ao Brexit e às incertezas que norteiam o futuro do país após a decisão de abandonar a União Europeia. 

De acordo com o relatório, a queda do Brasil no ranking, passando de 24º em 2016 para 29º neste ano deve-se ao enfraquecimento da economia e aos escândalos de corrupção. O país é o único representante da América Latina. A última colocada Turquia perdeu pontos por conta das ações que a aproximam de uma ditadura, como a perseguição a jornalistas e à oposição conduzida pelo seu líder, Recep Tayyip Erdogan. 

Em relação às qualidades do governo, os três primeiros colocados são Noruega, Suíça e Suécia. No desenvolvimento digital, quem lidera são os Estados Unidos, seguidos por Reino Unido e Alemanha. Na educação, os destaques são, novamente, Estados Unidos e Reino Unido. Sobre as possibilidades de empreendimentos, o país líder é Singapura, seguido por Suíça e Coreia do Sul. 

Posição dos 30 países no ranking global de soft power nos anos de 2015, 2016 e 2017.  

Posição dos 30 países no ranking global de soft power nos anos de 2015, 2016 e 2017.   Foto: Reprodução/The Soft Power 30