Black Friday: não caia nas armadilhas das lojas, nem nas suas próprias

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

Profissionais dão dicas de como lidar com as pegadinhas e o emocional na hora da compra

  

   Foto: Dina Litovsky/The New York Times

A musicista Priscila Franco é quase uma especialista em Black Friday. No ano passado, ela se mudou para São Paulo com o marido e precisou investir em móveis. “É aquela coisa de estudante; a gente não tinha nem um copo”, relata. O casal juntou dinheiro durante o ano e mobiliou a casa inteira na semana de descontos. “Fiz uma lista com tudo que eu precisava: cama, televisão, geladeira, tudo. Fui a lojas físicas antes, vi os modelos mais baratos, os que eu queria e pesquisei em um site que compara preços.”

De acordo com o Procon, Priscila fez bem. Segundo Bruno Stroebel, especialista em defesa do consumidor do órgão em São Paulo, é preciso pesquisar o valor dos produtos antes da semana – ou, no caso de algumas lojas, mês – de ofertas. Priscila entrava em sites todos os dias. “Quando alguma coisa baixava o preço, eu não perdia a oportunidade e comprava. Na sexta-feira em si, comprei as coisas mais caras. Deu meia-noite e eu fiquei atualizando os sites a noite toda”, afirma. Priscila percebeu que é durante a madrugada que aparecem as maiores promoções. 

Nessas horas, é preciso ficar atento aos super descontos, aqueles bons demais para serem reais. Se estiver em dúvida, consulte em primeiro lugar a lista do Procon de sites que dão golpes no consumidor. Quem tiver algum problema na compra, deve tentar entrar em contato com a loja primeiro. Caso não seja resolvido, “o Procon estará de portas abertas”, afirma Stroebel. 

No entanto, o especialista dá uma notícia boa: “A maquiagem de preço, aquela história de ‘tudo pela metade do dobro’ tem diminuído com o passar dos anos. Conversamos internamente aqui no Procon e percebemos que a tendência é que o ‘black fraude’ diminua.” Mesmo assim, vale ter alguns cuidados básicos, como salvar as telas – dar print screen – em todas as etapas da compra para ter provas no futuro, orienta o especialista.

Tem quem prefira ir às lojas físicas para garantir que o produto existe e realmente vai chegar em casa. Priscila revela sua estratégia: “Fui em lugares menos prováveis em que as pessoas não estariam, algumas lojas mais populares no centro de São Paulo que não têm muita divulgação”. E a tática funcionou. Ela conseguiu comprar uma máquina de café de cápsulas por um preço bom e até uma adega climatizada por R$ 300. “Sobrou um dinheirinho e eu pude fazer alguns luxos."

Emocional. Priscila investiu o dinheiro que sobrou em duas compras ‘impulsivas’ que sempre quis fazer e só teve condições com os descontos especiais. Mas muita gente se permite alguns ‘escorregões’ na Black Friday. “Quando você vê todo mundo fazendo, tem uma grande justificativa para fazer também. Não só pelo preço, mas por ser uma data ‘especial’, algo fora da rotina. Como se hoje pudesse tudo e, amanhã, voltasse tudo ao normal”, explica Flávia Ávila, economista comportamental na consultoria InBehavior Lab e professora da ESPM.

O comportamento pode ser perigoso, já que as ‘12 parcelas’ no futuro vão comprometer seu cartão de crédito. Por isso, a especialista orienta ir às compras em um momento de tranquilidade emocional. “Somos muito afetados pelo contexto. Não existe uma racionalidade completa na hora da compra. Somos mais afetados quanto mais estamos carentes. Queremos suprir com um bem material”, explica.

A dica da especialista é reservar à Black Friday os itens que você realmente precisa, mas pode esperar para comprar. Ela mesma fez isso. “Estou divulgando um livro e vou viajar pelo Brasil. Vamos esperar a Black Friday para comprar as passagens. Acredito que a data possa ser usada de uma maneira inteligente”.

Dicas práticas para compras na Black Friday:

Bruno Stroebel, especialista em defesa do consumidor do Procon São Paulo

Verifique o quanto antes os preços dos produtos que você quer adquirir 

Se for comprar online, simule o preço final com frete, pois em alguns casos as lojas dão desconto no produto mas aumentam o valor do frete

Junte provas. Salve as telas (botão Print Screen) dos preços atuais dos produtos nos quais está interessado para poder comprovar o valor

Na hora da compra, salve as telas de toda a transação

Priscila Franco, consumidora ‘expert’ em Black Friday

Faça sua lista com antecedência

Use sites que comparam preços em diferentes lojas

Visite lojas físicas menores, mais ‘improváveis’ no dia da Black Friday

Fuja de grandes redes, por causa dos juros

Flávia Ávila, economista comportamental e professora da ESPM

Aproveite a data para comprar o que você realmente precisa por um preço mais baixo

Programe seus gastos e pense em todas as parcelas. “Os primeiros R$ 100 são os mais doloridos”, mas as outras parcelas também vão cair no futuro

Vá para a loja com o emocional controlado, em um momento mais ‘centrado’