Até onde os youtubers estão dispostos a ir pela fama?

Anita Efraim - Especial para O Estado de S. Paulo

Casos bizarros, como a jovem que matou o namorado, chamam atenção nas redes sociais

O Youtuber Everson Zoio costuma cumprir desafios propostos por alguns fãs em seu canal; em um deles, chega ao ponto de arrancar o próprio dente utilizando um alicate - sem se preocupar com as precauções médicas necessárias para um procedimento deste tipo. Em seguida, mostra o buraco ensanguentado em sua boca, enquanto faz expressão de dor.
 

O Youtuber Everson Zoio costuma cumprir desafios propostos por alguns fãs em seu canal; em um deles, chega ao ponto de arrancar o próprio dente utilizando um alicate - sem se preocupar com as precauções médicas necessárias para um procedimento deste tipo. Em seguida, mostra o buraco ensanguentado em sua boca, enquanto faz expressão de dor.   Foto: YouTube / @Everson Zoio

O caso da youtuber que matou o namorado durante a gravação de um vídeo chocou a internet. O último tuíte de Monalisa Perez antes do acidente foi no dia 26 de junho e dizia que os dois fariam "um dos vídeos mais perigosos da história" e que a ideia teria sido dele, não dela.

O ocorrido, somado a outros conteúdos bizarros produzidos por youtubers, traz a reflexão de até onde as pessoas estão dispostas a ir pela fama. O brasileiro Adub Sadek, por exemplo, se colocou em uma caixa e se mandou pelo correio. Viih Tube, uma pré-adolescente conhecida pelo seu canal no YouTube, cuspiu na boca de seu gato e postou o vídeo no Twitter.

Na opinião de Rafael Urgh, diretor executivo da agência de conteúdo digital Urgh.Us, o termômetro para o criador de conteúdo é se uma marca quer ser associada a ele. "Hoje uma pessoa não faz mais conteúdo só para ter mais seguidores, o objetivo é monetizar, criar um ambiente que se profissionalize", explica. "O mercado tem cuidados na hora de escolher esse youtuber."

Rafael ainda pondera que a própria rede se monitora e cita o cantor Biel como exemplo. "Têm exemplos de pessoas que perdem toda credibilidade por um ato impensável", pondera. Há casos, na opinião do diretor executivo, em que a pessoa consegue voltar, mas dificilmente retoma a carreira com o mesmo brilho.

As redes sociais abriram portas para que pessoas entre quatro paredes produzam esse tipo de 'conteúdo' e viralizem, mesmo que seja com ações inconsequentes. É o que explica a terapeuta comportamental Joana Singer: " As pessoas hoje têm consciência de que elas podem ter uma fama em uma proporção que elas não teriam alguns anos atrás graças às redes sociais".

A psicóloga também avalia que, há alguns anos, para que jovens conquistassem a fama era preciso que algum adulto os acompanhassem até agências, os apresentassem para pessoas influentes. "Hoje ele [jovem] não precisa de nada, só de uma conexão. O acesso ficou muito mais fácil, muito mais rápido. Muitas vezes o adulto, que seria um crivo, um filtro, não está presente", opina.

Ansiedade e impulsividade. As redes sociais aumentam duas características: a impulsividade e a ansiedade. "Impulsividade porque você não precisa se movimentar. Nas redes sociais, a decisão de se tornar famoso e o que eu vou fazer para isso ser viável pode acontecer de forma absolutamente impulsiva, sem ter tempo para filtrar", diz Joana.

Já a ansiedade é provocada pela expectativa de ter um retorno rápido. "Você produz um vídeo que acha impactante e fica absolutamente ansioso, esperando quantas curtidas vão vir, quantas visualizações", explica. Além disso, se o conteúdo não tem os números esperados, o youtuber pode ser motivado a ir mais longe.

Quinze minutos de fama. Será que o sucesso de pessoas que viralizam na internet é algo duradouro? Questionado, Rafael Ugh afirma que o verdadeiro criador de conteúdo sempre terá boas ideias. "Se for só uma, é só um estouro da sorte".

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