Assim como seus donos, cães tendem a engordar no inverno

Ananda Portela* - O Estado de S.Paulo

A quantidade de alimento ingerido pode aumentar em até 20% durante a estação

Além da quantidade de comida ingerida e das alterações metabólicas, a obesidade pode ser causada por doenças que favorecem o ganho de peso.

Além da quantidade de comida ingerida e das alterações metabólicas, a obesidade pode ser causada por doenças que favorecem o ganho de peso. Foto: danbar44/Pixabay

Durante o inverno, sempre tem aquela desculpa de que está muito frio para ir na academia ou fazer dieta. Mas não é desculpa. É verdade! É muito mais fácil fazer atividade física e comer direitinho no verão.

Assim como os seres humanos, os cachorros têm dificuldade de se exercitar e tendem a comer mais do que o normal. Segundo o médico veterinário Marcelo Quinzani, os cães têm mais propensão a engordar no período do inverno por duas razões. "Assim como nós, os cachorros também ficam preguiçosos e acabam dormindo mais. E nós também. Se estiver muito frio, não saímos para passear e caminhar. Se saímos, voltamos rápido", explica Quinzani.

Além da ausência de exercícios, no inverno, o gasto calórico é maior para que se mantenha a temperatura corpórea. De acordo com a veterinária Carla Storino Bernardes, essa quantidade chega a aumentar em até 20% nesse período.

A obesidade é uma patologia, e não somente um excesso de peso. Ela pode ser constatada a partir de uma alteração no padrão racial ou no aumento significativo de peso em relação àquele ideal do cachorro. Se o cachorro for de raça, existe um padrão predefinido de peso, tamanho e outras características fisiológicas do animal. Não é possível definir esses padrões se o filhote for fruto de um cruzamento entre raças. Existe outra forma de estabelecer o peso saudável: depois de alcançado um ano e meio de idade, o animal tende a manter esse peso por muito tempo. "É claro que ele pode engordar um pouco, mas é preciso acompanhar esse aumento de peso", completa Quinzani.

Além da quantidade de comida ingerida e das alterações metabólicas, a obesidade pode ser causada por doenças que favorecem o ganho de peso. Algumas disfunções são semelhantes às patologias que afetam os seres humanos, como o hipotireoidismo - pouca ou mínima produção do hormônio da tireoide - e transtornos da glândula adrenal (suprarrenal nos seres humanos), que, quando produz seu hormônio em excesso, causa aumento de peso.

A avaliação é feita a partir da análise do escore corporal, isto é, a composição de cada animal

A avaliação é feita a partir da análise do escore corporal, isto é, a composição de cada animal Foto: http://fisiocarepet.com.br/obesidade-condicionamento-fisico/

É claro que todo o diagnóstico da doença deve ser feito por um veterinário. Assim que o dono do animal verificar qualquer tipo de anormalidade, o cachorro deve ser levado ao especialista. Descartada qualquer doença hormonal, o controle do peso pode ser iniciado. Ele se dá pela restrição calórica e pela prática de atividades físicas.

O tratamento é baseado em três pilares: a conscientização do dono à respeito da situação, a seriedade na dieta e a frequência dos exercícios. "É importante entender que um cão obeso tem dois anos a menos de vida. É como se fossem 12 a menos para um ser humano", alerta o veterinário Ricardo Stanichi Lopes. Quanto à restrição calórica, ele afirma que a melhor ração é aquela específica para cães obesos, e não necessariamente as rações light. Estas são indicadas para a manutenção do peso, e não perda. "Se o animal emagrecer com a ração light, ele não estará perdendo peso de forma saudável", completa Lopes.

É importante que o cachorro tenha uma perda relativa de peso antes da prática de atividades físicas mais fortes. Muitos pacientes chegam ao veterinário com algum tipo de dor, e por isso, é necessário atentar-se para as atividades que provocam muito impacto nas articulações. "O ideal são 10 a 25 minutos de caminhada por dia dependendo da raça e da idade do animal", indica Lopes.

Essa atividade auxilia muito no tratamento, mas o método considerado fundamental é a esteira aquática. Ela reduz até 60% do peso do animal sem causar grandes danos à articulação. Além dessa prática, o estímulo ao uso de brinquedos é muito importante, pois eles ajudam no combate à obesidade e ao sedentarismo, assim como na correção de hábitos incorretos que os animais podem adquirir quando estão entediados.

As atividades ao ar livre são muito importantes, mas cuidado com o sol. "Devemos sempre lembrar que as patas dos cães estão em contato direto com o asfalto e sendo assim, podem ocorrer queimaduras severas nos coxins dos cães", atenta Carla Bernardes. Lembre-se: qualquer alteração física ou fisiológica no animal deve ser relatada ao veterinário.

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais