Artista uruguaio lança primeiro mangá trans da América Latina

- EFE

Projeto é voltado para adolescentes e dá visibilidade à luta pelos direitos dos LGBTs

Personagens de 'Teen Trans' durante exibição na segunda edição da Semana de Arte Trans em Montevidéu, Uruguai.

Personagens de 'Teen Trans' durante exibição na segunda edição da Semana de Arte Trans em Montevidéu, Uruguai. Foto: Raúl Martínez/EFE

Cheio de aventura e ativismo, Teen Trans, heróis sem identidade secreta é o primeiro mangá com o tema transgênero da América Latina. Criada pelo artista uruguaio Leho de Sosa, a publicação foi lançada durante a segunda edição da Semana de Arte Trans (SAT) de Montevidéu, capital uruguaia, que ocorreu entre os dias 9 e 15 de abril.

A história convida os leitores a conhecer o universo de quatro adolescentes que decidem assumir suas identidades de gênero e, por isso, são eleitos para defender a diversidade humana.

Na história, Alex, Ann, Delfi e Tino são guiados para desenvolver superpoderes que vão adquirindo conforme tentam evitar um "ataque iminente de um grupo de fundamentalistas liderados por um político homofóbico" contra a Marcha da Diversidade no Uruguai.

Leho de Sosa disse que criou o mangá de uma forma praticamente instintiva. Ele é gay e contou que, durante a infância, sentia "falta de personagens e produtos identitários" para crianças e adolescentes que se identificam como parte dos LGBTs. A aventura une ficção e a realidade da luta social pelos direitos desse grupo considerado minoritário.

O artista uruguaio Leho de Sosa junto com um dos personagens de 'Teen Trans'.

O artista uruguaio Leho de Sosa junto com um dos personagens de 'Teen Trans'. Foto: Raúl Martínez/EFE

Em Teen Trans, Delfi, de 15 anos, passa a absorver "a energia biodiversa do entorno" e é capaz de canalizá-la em descargas sensitivas. Alex, de 18 anos, recebe o dom de poder modificar sua morfologia e massa corporal, assim como sua força e velocidade. Ann, de 17 anos, pode voar e tem "poderes variáveis baseados na história e memória coletiva que fluem pelo universo quântico". Por fim, Tino, de 14 anos, consegue canalizar sua jovem e instável energia biodiversa "sobre seu entorno e controlar massa e espaço-tempo".

Todo o trabalho levou um ano para ficar pronto, entre pesquisa e escrita - que, segundo o autor, é a parte mais simples -, e é o primeiro de uma série na qual ele está trabalhando.