Vida de cão

Lorena Tabosa, Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Nestes projetos, os bichos de estimação recebem atenção especial para viver como parte da família

O piso de mosaico português permite maior atrito com as patas do cachorro, evitando quedas e lesões

O piso de mosaico português permite maior atrito com as patas do cachorro, evitando quedas e lesões Foto: Zeca Wittner/Estadão

Quem tem animal de estimação deve saber que, aos poucos, eles acabam tomando conta da casa. Pelo menos aqueles com donos mais liberais, que não se importam em dividir o quintal, o sofá ou a casa toda com eles. 

Para melhorar a ambientação do bicho de estimação da família, a arquiteta Silvana Lara Nogueira cuidou da reforma do quintal de uma casa em Tamboré. “O espaço não é muito grande, tem 30 m², mas o casal de clientes queria transformá-lo em uma área pensada para o bem-estar do cachorro”, explica. Como o cão é da raça golden retriever, grande e um pouco bagunceiro, a ideia foi eliminar tudo o que ele pudesse derrubar ou remexer, como a grama. No lugar, foi colocado um piso de mosaico português na cor bege, que dá aderência às patas do animal e é de fácil limpeza.

Para que o ambiente não ficasse muito árido, foram colocadas duas jardineiras verticais e um banco fixo de madeira cumaru, que o cachorro não consegue mover. Na área também foi construído um canil com piso de porcelanato, que ajuda a evitar escorregões. O espaço, de 8 m², serve de abrigo para o melhor amigo da família nos dias de chuva. 

No caso do apartamento da jornalista Luciana Siqueira, na Vila Olímpia, o antigo escritório, de aproximadamente 7 m², é que foi preparado para a chegada dos irmãos felinos Haroldo, Nicolau e Monalisa. Os três foram adotados por Luciana, que é voluntária na ONG Adote um Gatinho. No espaço, prateleiras e túneis de madeira, feitos por encomenda no site Vida de Gato, e arranhadores. “O serviço do marceneiro ia sair muito caro, então, optamos pelo site. Infelizmente, ainda não há muitas lojas que vendam esse tipo de produto no Brasil”, conta.

Mas, apesar de terem um quarto para chamar de seu, os gatos circulam por todo o imóvel, cujas janelas receberam telas para evitar acidentes. Alice, a filha de Luciana, de apenas 1 ano e 4 meses, convive bastante com o trio, o que requer cuidado redobrado com a higiene. “Limpamos a caixa de areia duas vezes ao dia. Mesmo que tenham pelo curto, são escovados todos os dias e ainda passo lenços umedecidos neles.”

A procura por móveis que atendessem às necessidades dos gatos e, ao mesmo tempo, não interferissem negativamente na decoração motivou o designer Frank Morais a criar uma linha de arranhadores, módulos e camas para os felinos. “Fiz algumas peças para a minha casa e postei na internet. O negócio começou a deslanchar, já que no Brasil não existem muitas peças assim”, diz Morais. 

Alguns produtos da linha estão na casa de Carol Junqueira, sócia no negócio. “Instalei os módulos em cima do sofá e os quatro gatos aproveitam muito. É como um playground para eles”, explica. Quando a brincadeira cansa, os bichos se espalham pelas caminhas dispostas na sala. Uma, com espaço para se esconder, tem a altura exata do braço do sofá, um truque para que eles não afiem as unhas na lateral do móvel.