Universo particular

Natália Mazzoni - O Estado de S. Paulo

Com total aval dos moradores, arquiteto dá asas a imaginação em projeto pouco convencional

Ao fundo, a cozinha. O par de vasos Spindel, de Anton bee e Wily Guhl, estão onde antes ficava a varanda 

Ao fundo, a cozinha. O par de vasos Spindel, de Anton bee e Wily Guhl, estão onde antes ficava a varanda  Foto: Denilson Machado/Divulgação

Ao convidar o arquiteto Guilherme Torres para assinar o projeto de reforma e decoração deste apartamento de 248 m², em Alphaville, na Grande São Paulo, o casal de proprietários já sabia que o resultado teria poucos elementos tradicionais. Com facilidade de abusar das cores, Torres gosta de provocar. “É algo que não sei como explicar, simplesmente acontece. É um universo que, para mim, não se encaixa em nenhuma regra”, diverte-se.

Neste projeto, as etapas de reforma e decoração se misturaram, ou melhor, caminharam juntas desde o princípio da obra. O apartamento, um pouco mais escuro do que o casal gostaria e com pé-direito baixo, tinha a planta bastante segmentada, o que resultou em uma reforma que o arquiteto considera já um clássico. “Executamos o que fazemos na maioria das obras atuais: remodelamos os ambientes. Incorporamos a varanda, abrimos mão de um dos quartos – agora são três suítes – para aumentar a sala e integramos a cozinha”, explica.

Enquanto a obra acontecia, a primeira peça de mobiliário da casa já foi concebida e executada pelo arquiteto: uma mesa de mármore de Carrara incrustada em uma das vigas de sustentação perto da cozinha. “Logo que entrei no imóvel notei que a construção tinha vigas gigantes que não teriam como ser disfarçadas. Resolvi assumi-las e usá-las a meu favor, e a estética do projeto acabou partindo disso”, diz o arquiteto.

O pé-direito baixo, antes um ponto negativo do imóvel, favoreceu o desenho do projeto depois que Torres decidiu usá-lo para abrigar um elemento gráfico e funcional. “Percorremos os espaços com eletrocalhas que passam pelas vigas e suportam a iluminação, voltada para o teto, feita dessa maneira para justamente reforçar a ideia de rebaixamento”, comenta. 

Para o piso, o arquiteto buscou unidade no uso do revestimento, instalando porcelanato italiano em tom azulado em todo o apartamento, sem exceções. As portas da área social, embutidas na parede, são de policarbonato, uma estratégia usada para que mais luz chegue a todos os ambientes. O mesmo material foi usado no painel que separa a área social da íntima. “O hall de entrada é sempre um lugar com pouca luminosidade. Nesse caso, usamos uma porta de vidro para resolver o problema.”

Ao final da reforma, a moldura de um apartamento de estilo contemporâneo estava pronta. A primeira obra de arte comprada pelo casal, um grafite do artista plástico brasileiro Nunca trouxe cores, como o vermelho vibrante que se espalhou também para o tapete escolhido para o estar. 

O que veio depois é para o arquiteto um exercício de uso de cores sem medo, para fazer do lugar um espaço vivo. Na cartela usada neste projeto, vermelho, azul, laranja, verde e roxo se espalham por todos os lugares, em tons vibrantes e suaves. “Não existe motivo para se limitar ao óbvio. Os pontos de cor se desdobram e criam elementos que enriquecem visualmente o ambiente. Aqui, a base clara que criamos era um prato cheio para diferentes tons e texturas. Por que não aproveitar?”

Solução na Iluminação

O pé-direito baixo deste apartamento determinou o rumo da iluminação do projeto. Isso porque rebaixar o teto com um forro de gesso para embutir a iluminação faria com que os cômodos perdessem ainda mais altura. “Em um imóvel deste tipo, optar por perder mais espaço não me parece uma solução viável. Ainda mais tendo a possibilidade de fazer a iluminação com dutos aparentes e trazer mais personalidade aos ambientes”, diz o arquiteto Guilherme Torres. 

Para fazer uma instalação elétrica aparente, antes é necessário planejar o layout e ter todos os pontos de interruptores, tomadas e terminações determinados. Para isso, conte com a ajuda de um especialista em elétrica. “Aqui, usamos a iluminação estrategicamente voltada para o teto, mas é possível direcionar pontos de luz para peças consideradas interessantes na decoração”, explica.

Para fazer esses trilhos, geralmente são usados conduítes de aço galvanizado, canos, eletrocalhas, tubulação e tomadas metalizadas. “É uma linguagem contemporânea bem-vinda, ainda mais quando conversa com a decoração, como neste caso.”