Uma coleção de peso

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Obra do designer Hugo França é escolhida pela gaeleria MeMo, do Rio de Janeiro, para representar o Brasil na Design Miami

O curador Marcelo Vasconcellos do MeMo, tendo ao fundo seu sócio Alberto Vicente 

O curador Marcelo Vasconcellos do MeMo, tendo ao fundo seu sócio Alberto Vicente  Foto: FELIPE VARANDA/DIVULGAÇÃO

Desde os anos 1980, o designer gaúcho Hugo França, um dos nomes brasileiros mais conceituados no cenário internacional, cria seus móveis a partir de resíduos florestais. Ou seja: só usa madeira de árvores já condenadas pela natureza ou pela ação do homem. Entre elas, o pequi-vinagreiro, árvore típica do sul da Bahia e matéria-prima básica de suas criações. “A ideia de apresentar uma retrospectiva dos trabalhos dele surgiu desde que decidimos participar da Design Miami”, declara o curador Marcelo Vasconcellos, da MeMo, galeria de design que representa França em terras cariocas e que acaba de participar da última edição da mostra americana no início do mês, positiva em todos os aspectos. “As pessoas ficaram encantadas com o aspecto indestrutível e ao mesmo tempo suave e delicado das peças”, conta seu sócio, Alberto Vicente. A opção pela mostra individual do designer já rendeu bons frutos. “Fomos a única galeria da América do Sul que participou do evento e o resultado superou nossas melhores expectativas. Ano que vem pretendemos repetir a dose”, adiantou Vasconcellos nesta entrevista exclusiva ao Casa.

Por que a escolha do designer Hugo França para representar o MeMo na Design Miami?

Como era a nossa primeira participação na feira, decidimos focar em um designer contemporâneo brasileiro já conhecido mundialmente, como é o caso do Hugo. Que tivesse, enfim, suas obras em importantes coleções e acervos internacionais. Que fosse, em síntese, um nome de referência aos olhos dos colecionadores internacionais. 

O espaço da Memo Mercado Moderno na Design Miami 2016

O espaço da Memo Mercado Moderno na Design Miami 2016 Foto: JAMES HARRIS/DIVULGAÇÃO

Como se deu a seleção das peças? Qual a linha mestra da exposição?

A seleção levou em conta, primordialmente, o tamanho das peças do designer, algumas monumentais, em relação ao nosso espaço. Ao mesmo tempo, procuramos mesclar peças grandes com outras menores, de forma a propiciar aos visitantes um panorama global de seus trabalhos em diferentes escalas. Mas, de uma maneira geral, diria que resolvemos priorizar o aspecto escultural, muito presente nas criações dele. Como no caso da cadeira Inquirim, uma peça de dimensões até modestas, mas que acabou se tornando um dos destaques da mostra.

 

Qual o impacto que as criações do designer provocou nos visitantes?

O público internacional já está acostumado a ver peças de jacarandá, mogno, imbuia em peças de designers modernistas brasileiros, como Joaquim Tenreiro e Jorge Zalszupin. Já a utilização de uma madeira de origem brasileira tão diferente quanto o pequi-vinagreiro foi uma boa surpresa. Outro fator a considerar foi a intensa interação do público infantil presente à mostra com as peças do Hugo, o que acabou emprestando um ar bastante lúdico e divertido ao nosso espaço.

Uma das criações de França apresentadas em Miami

Uma das criações de França apresentadas em Miami Foto: JAMES HARRIS/DIVULGAÇÃO