Tudo bem simples mas muito chique

Olívia Fraga - O Estado de S.Paulo

A arquiteta Jane Hayre Antunes investe no mobiliário para compor ambientes que lembram Minas Gerais e o sertão

O apartamento de 250 m², nos Jardins, era o lugar perfeito para fincar raízes, pensava a arquiteta Jane Hayre Antunes. Pensava certo, até a hora em que teve de encarar o desafio: em imóvel alugado, reformas, só as estritamente necessárias. Apesar das limitações, Jane fez questão de qualidade e foi original na escolha de objetos clássicos da decoração. Exemplo: no living de três ambientes, em que predomina o branco, a mesa Saarinen tem tampo de jacarandá (de andiroba café, R$ 7.750, formato oval com 1,98 m x 1,22 m, na Forma), e as cadeiras Tulipa (também assinadas por Eero Saarinen, cada uma custa R$ 850, sem braço, e R$ 950, com braço, na Maria Jovem) têm assentos cobertos de pele de vaca - Jane, que adora o material, também se serve dele como tapete sob a mesa. Ousadia ou exagero, a arquiteta diz: "Prefiro acreditar que ficou bonito". De Belo Horizonte, onde nasceu e se formou em Arquitetura, Jane passou anos acompanhando o marido - que trabalha no mercado financeiro - mundo afora. Por fim, em 2003 o casal decidiu se estabecer em São Paulo. Quando encontrou o apartamento, foi atrás de mobiliário vintage que combinasse com seu estilo. "Pensei em móveis práticos e duráveis, que pudessem compensar o investimento." A arquiteta lembra que se surpreendeu com a existência de duas portas na cozinha, uma de acesso ao corredor, e outra, à área lateral, onde ficam os quartos. "Era como se a ala íntima estivesse em contato direto com a de serviços, e tudo se fechasse atrás de outra porta, que isola os quartos do living", comenta Jane. Com o tempo, porém, ela percebeu que seria a melhor solução para quando chegassem os filhos, já que poderia ficar "trancada, cuidando das crianças, enquanto o marido recebia amigos do outro lado". Na cozinha, outra (boa) idéia de Jane: garrafeiros de barro encaixados no fundo do armário embutido - do qual a arquiteta retirou as portas - mantêm garrafas de vinho na temperatura ideal (na Cia. das Telhas, elemento vazado de 30 cm de comprimento, por R$ 2,50 a peça). "Dispensei cooler, adega...", destaca Jane, que aplicou pastilhas de vidro verde (da GEA Design, modelo opaco em cores frias, de 2 cm x 2 cm, por R$ 32 o m²) na meia parede que separa a pia da mesa de madeira de peroba patinada (adquirida em Tiradentes, MG). Há uma atmosfera rústica nesse apartamento. Próximo à janela da sala de estar, um tronco sem acabamento serve de mesa de centro, móvel criado por Pedro Petry (preço sob consulta, no ateliê do designer). A luz é filtrada pela cortina de voile reticulada (na Casas Pernambucanas, a partir de R$ 119, a cortina pronta com trilho, e a partir de R$ 199, a de varão), o que garante claridade interna até o final do dia. Nostálgica, a arquiteta pinçou em feiras de artesanato de Minas Gerais pequenas estátuas de ferro para decorar a mesa de centro de mármore, no centro do living, e a bancada de madeira zebrano, no corredor de entrada. O tríptico (inacabado) que domina a sala de estar revela a topografia de Ouro Preto. Não faltou nem mesmo Padre Cícero: ao lado de um cacto, a escultura entalhada em madeira foi comprada por uma pechincha de um carroceiro, em São Paulo. A madeira percorre os demais cômodos deste endereço. No escritório onde Jane desenvolve seus projetos - resultado do aproveitamento de um dormitório -, a mesa tem tampo com folha de zebrano e a estante é feita de prateleiras de MDF branco, mesmo material das bancadas da suíte, onde fica a TV. No quarto de hóspedes, a cama é um estrado dividido em duas partes, para o caso de a proprietária precisar acomodar solteiros.