Toque lusitano

Bete Hoppe - O Estado de S.Paulo

A cozinha é de Celina Dias, mas quem põe a mão na massa é o português Brás Lopes

A estrela desta cozinha tem sotaque lusitano e, para pilotar o fogão, tem de cruzar o Atlântico uma vez por mês. Isso porque a verdadeira dona deste espaço gourmet, nos Jardins, a empresária Celina Dias, delega ao português Carlos Brás Lopes o comando dos jantares que ela organiza em seu apartamento sempre que o sócio lisboeta vem a São Paulo. "Adoro receber, mas não levo jeito para cozinhar", confessa.

Os dois se conheceram num jantar em Lisboa, quando Brás Lopes já era profissional de culinária. Ele conta que sua história como mestre-cuca começou em 1975, quando se mudou para Londres. Para sobreviver, cuidava da despensa de um restaurante e dividia um apartamento com três colegas. "Às vezes, eram dez pessoas para jantar, e, sem dinheiro, tinha de inventar o que comer."

De volta a Portugal, continuou a reunir amigos em torno da mesa. Em 1987, rendeu-se aos elogios e abriu o Mercado Santa Clara, restaurante que até hoje existe ao pé da Alfama, tradicional bairro de Lisboa. No cardápio, a sobremesa tem como carro-chefe um bolo de chocolate de aparência rústica, mas que ganhou fama como O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, assim mesmo, em letras maiúsculas, pois é o nome que ele deu à própria confeitaria, aberta em 2002, no bairro de Campo de Ourique.

"Foi em Paris que provei a receita original. Tinha uma textura e um sabor diferentes de tudo o que havia experimentado. Tentei repetir em casa, mas, claro, não consegui. Na quarta tentativa, os amigos aprovaram minha versão", conta. Sem formação acadêmica em gastronomia, ele conseguiu criar uma lenda que já dura 20 anos e adoça a vida de madrilenhos e paulistanos - em São Paulo, já são quatro lojas. "Tudo que ele faz, faz com alma, por isso fica gostoso", afirma a sócia, sobre o sucesso do bolo no Brasil. Celina recorda que uma amiga comum ouviu de Brás Lopes o desejo de investir em terras brasileiras. Depois de uma semana trocando e-mails, a dupla era locatária de um pequeno ponto na Rua Oscar Freire, inaugurado em 2007.

Apesar de ser avessa às panelas, Celina projetou um espaço gourmet com mesa de apoio, para refeições rápidas, e bancadas, na ilha central e no limite com a sala de jantar. "Tenho equipamentos básicos, normais. Mas o ambiente ficou simpático, gostoso", diz. Nem tão básicos assim, como provam as caçarolas esmaltadas azuis da grife francesa Staub (com 20 cm, R$ 515, e com 24 cm, R$ 628, na Zwilling Concept Shop) e, entre os utensílios, muita prataria (bandeja com alças Imperial Regence, de 53 cm x 41,5 cm, R$ 1.259,90, na Cleusa Presentes) e louça branca, como o conjunto de café (xícara com pires modelo Bergerac, R$ 32, na Secrets de Famille) e a boleira com pedestal.

Nesse suporte, descansa o "segundo melhor bolo de chocolate do mundo" que Brás Lopes preparou para o Casa&, porque a receita do número um ele não revela nem para a família. Sabe-se apenas que não leva farinha nem fermento, e tem como matéria-prima chocolate belga.

 

BOLO DE CHOCOLATE AMARGO E CONHAQUE

Ingredientes

250 g de chocolate amargo

125 g de manteiga sem sal

2 colheres de sopa de conhaque

6 ovos

125 g mais 40 g de açúcar

Papel-manteiga

Modo de Preparo

Aqueça o forno a 180°C. Unte uma forma desmontável com cerca de 4 dedos de altura e 45 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel-manteiga e unte. Derreta o chocolate com a manteiga, junte o conhaque e deixe esfriar um pouco. Bata as gemas com 125 gramas de açúcar e junte ao chocolate. Bata as claras e coloque os 40 gramas restantes de açúcar.

 

Junte as claras ao chocolate, sem bater, só envolver. Leve ao forno e asse por cerca de 30 minutos - sem deixar ficar muito cozido. Deixe esfriar na forma por aproximadamente 10 minutos e sirva.