Selva na Lagoa

Susy Dissat - O Estado de S.Paulo

Denso e exuberante, jardim no bairro da zona sul parece floresta

A geometria dos jardins ingleses passa a léguas de distância dessa selva carioca onde, como no imaginário do turista estrangeiro, poderiam viver cobras e jacarés. Bem, o jacaré até tem lugar nesse paraíso, situado na Lagoa, mas é feito de madeira. Projeto do paisagista Paulo Antonini, o jardim foi encomenda de um arquiteto italiano radicado no Rio.     O Gazebo, outra etapa do caminho dessa casa instalada em três platôs, está cercada por densa vegetação. Foto: Kitty Paranaguá/Divulgação "Ele morava na Gávea e estava procurando uma cobertura para comprar. Achou uma casa no alto da Rua Fonte da Saudade que não tinha jardim, mas estava ao lado de um terreno baldio, em pirambeira", conta Paulo, bailarino de formação e paisagista autodidata desde 1983. "Como todo europeu, ele tinha o sonho de morar no meio de uma floresta. Comprou o terreno e me pediu para realizar sua fantasia." A vegetação era quase inexistente. Muito mato, lixo, algumas jaqueiras - que continuam por lá -, mas nenhuma espécie que valesse a pena conservar. Antonini conta que o trabalho levou mais de dois anos. O proprietário encarregou-se da reforma da casa, transformada num grande quarto-e-sala, e deixou o resto para o paisagista. "A vista de todos os ângulos é linda, mas o local era muito devassado... O cliente queria ficar isolado da vizinhança", conta Antonini, que foi, assim, cortando o terreno de 1.500 m², formando platôs. A piscina foi revestida de vidrotil verde para parecer um lago e, em volta, recebeu um deck de ipê, com ripas irregulares. Ao fundo, uma escultura de pedras Pirenópolis, de onde jorra uma cascata. Ao lado da piscina fica a sauna com vidro curvo - e hoje com o teto coberto de hera - , de onde se avista a Pedra da Gávea, o Morro Dois Irmãos e a Lagoa. Ao lado, um grande vaso de pleomele, num verde-claro, faz contraste com o verde intenso do entorno, onde se destacam as palmeiras fênix (R$ 2 mil cada uma, na Rio Verde). Tudo foi feito artesanalmente. Como o terreno é em declive, o paisagista teve de abrir mão de caminhões e escavadeiras para aplainar a terra. "Aproveitei as curvas de nível do terreno para criar platôs e níveis de sustentação", explica. Os muros são de pedras cortadas e colocadas uma a uma para segurar o barranco até que a vegetação crescesse e cobrisse a superfície. O mesmo aconteceu com as plantas. Para levar as palmeiras, por exemplo, construíram uma rampa de madeira e 20 homens, com cordas, levavam duas árvores por dia - cada uma pesava cerca de uma tonelada. Num dos platôs, um portão balinês com mais de 200 anos conduz ao gazebo de ipê (R$ 20 mil, na RJ), um dos charmes do lugar. E o mais surpreendente é que parece que tudo estava ali desde sempre. Bromélias (cerca de R$ 800 cada uma, na Solo Verde), bambuzas, palmeiras-veicha, espadas-de-são-miguel e filodendros dão a densidade necessária ao jardim; e as notas coloridas ficam por conta de marias-sem-vergonha, antúrios (plantados em degradê) e orquídeas, tudo milimetricamente calculado para se mimetizar à paisagem. Bancos de pedra, esculturas indonésias e caminhos de pedra completam o cenário, perfeito para o relaxamento. Outras plantas escolhidas por Antonini cobrem as encostas e os muros, caso das samambaias, helicônias e aspargos, em variados tons de verde. Os degraus de pedra, ladeados por balizadores de iluminação, ficam quase encobertos por trombas-de-elefante, entre outras. É um jardim que requer cuidados e manutenção diária. Ao amanhecer e ao cair da noite, porém, a atmosfera de selva intensifica: maritacas, tucanos, papagaios e pássaros coloridos passam em revoada, fazendo algazarra. Ao longo do dia, o espetáculo é das borboletas e dos micos. Só falta mesmo o Tarzan. o Morro Dois Irmãos e a Lagoa. Ao lado, um grande vaso de pleomele, num verde-claro, faz contraste com o verde intenso do entorno, onde se destacam as palmeiras fênix (R$ 2 mil cada uma, na Rio Verde). Tudo foi feito artesanalmente. Como o terreno é em declive, o paisagista teve de abrir mão de caminhões e escavadeiras para aplainar a terra. "Aproveitei as curvas de nível do terreno para criar platôs e níveis de sustentação", explica. Os muros são de pedras cortadas e colocadas uma a uma para segurar o barranco até que a vegetação crescesse e cobrisse a superfície. O mesmo aconteceu com as plantas. Para levar as palmeiras, por exemplo, construíram uma rampa de madeira e 20 homens, com cordas, levavam duas árvores por dia - cada uma pesava cerca de uma tonelada. Num dos platôs, um portão balinês com mais de 200 anos conduz ao gazebo de ipê (R$ 20 mil, na RJ), um dos charmes do lugar. E o mais surpreendente é que parece que tudo estava ali desde sempre. Bromélias (cerca de R$ 800 cada uma, na Solo Verde), bambuzas, palmeiras-veicha, espadas-de-são-miguel e filodendros dão a densidade necessária ao jardim; e as notas coloridas ficam por conta de marias-sem-vergonha, antúrios (plantados em degradê) e orquídeas, tudo milimetricamente calculado para se mimetizar à paisagem. Bancos de pedra, esculturas indonésias e caminhos de pedra completam o cenário, perfeito para o relaxamento. Outras plantas escolhidas por Antonini cobrem as encostas e os muros, caso das samambaias, helicônias e aspargos, em variados tons de verde. Os degraus de pedra, ladeados por balizadores de iluminação, ficam quase encobertos por trombas-de-elefante, entre outras. É um jardim que requer cuidados e manutenção diária. Ao amanhecer e ao cair da noite, porém, a atmosfera de selva intensifica: maritacas, tucanos, papagaios e pássaros coloridos passam em revoada, fazendo algazarra. Ao longo do dia, o espetáculo é das borboletas e dos micos. Só falta mesmo o Tarzan.