Saiba como imprimir uma aparência rústica na decoração dos ambientes

João Abel* - O Estado de S. Paulo

Utilizando de porcelanato, resina ou cimento o recomendado é começar de baixo para cima, a partir do piso

Apartamento decorado por Marcela Madureira com porcelanato em tom neutro

Apartamento decorado por Marcela Madureira com porcelanato em tom neutro Foto: ANA MELLO

Em alta na decoração, o estilo industrial, caracterizado por superfícies mais rústicas e sem acabamento, vem ganhando um número cada vez maior de adeptos. Porém, da sala à cozinha, para imprimir esse visual a qualquer ambiente, é recomendável começar de baixo para cima, isto é, a partir do piso do imóvel. De preferência, feito de materiais que reproduzem o cimento.

“É um recurso curinga, uma simples argamassa que não exige nenhum procedimento especial para aplicação”, explica a designer de interiores Marina Linhares, que tem empregado o cimento queimado em muitos de seus projetos. Outro fator apontado por ela, a composição simples, permite que o acabamento seja realizado logo após a execução do contrapiso. “Primeiramente, é jogado o pó de cimento para ‘queimar’ e, depois, usamos a desempenadeira de aço para dar o efeito escovado e deixá-lo mais uniforme”, diz.

Cimento queimado foi associado à madeira e tons de laranja e preto neste projeto da decoradora Marina Linhares

Cimento queimado foi associado à madeira e tons de laranja e preto neste projeto da decoradora Marina Linhares Foto: MARINA LINHARES INTERIORES

Além de fácil de combinar — texturas como as da madeira, pastilhas de vidro, pedras e cerâmicas acompanham bem o acabamento quando empregadas lado a lado na composição dos ambientes —, o custo da aplicação é um atrativo a mais. Variando de acordo com o tipo de material empregado e o profissional contratado, o valor do serviço completo fica entre R$ 30 e R$ 100 por m².

Ainda assim, o arquiteto Kleber Arigucci alerta que é preciso pesquisar antes de decidir pelo revestimento, já que o cimento queimado trinca com facilidade. “Com o movimento natural das edificações, o piso vai dilatando”, afirma. Para evitar o problema, ele prefere incluir uma resina a base de limestone — uma espécie de rocha sedimentar — na preparação da massa. Segundo o arquiteto, a solução garante maior uniformidade à superfície, além de evitar rachaduras, apesar de ser mais cara (em média R$ 180 por m², inclusa a instalação).

“Com esse composto, é possível desenvolver um piso único, sem rejuntes. No cimento queimado convencional, é preciso fazer juntas de dilatação para não trincar”, afirma Kleber. “O cimento dá uma sensação de amplitude nos espaços e ainda é atérmico, não absorve calor e não ‘abafa’ a casa”, considera.

Kleber Arigucci optou por um piso monolítico de cimento com resina

Kleber Arigucci optou por um piso monolítico de cimento com resina Foto: KLEBER ARIGUCCI

Já para aqueles que não abrem mão dos tradicionais pisos de porcelanato, diversas marcas já disponibilizam peças com a aparência cimentícia, como a linha Silos da Portobello, que oferece placas por cerca de R$ 60 por m².

“A vantagem é que o material pode ser aplicado mesmo em áreas com intenso fluxo de água”, destaca a arquiteta Marcela Madureira. “Além disso, eles vão bem em qualquer ambiente e são neutros, dando liberdade para a composição no restante do projeto”, completa.

*ESTAGIÁRIO SOB SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS DANIEL FERNANDES