Rua e retrô inspiram Sommer

- O Estado de S.Paulo

 

O mundo da rua norteia o trabalho do paulistano Marcelo Sommer. O vocabulário street wear, somado a boa dose de reminiscências, reflete-se também nos objetos estampados de sua linha para casa, a Oliveira Lar, que tem desenvolvimento do designer Amaury Moraes. São canecas, porta-joias em forma de mão, xícaras, bandejas que parecem ter saído da casa da vovó. A ideia de se embrenhar no segmento de objetos veio no fim de 2006, depois de sair da direção criativa da marca Sommer, vendida ao grupo AMC Têxtil em 2004. Para o estilista, trata-se de mais uma forma de expressão. Seja nas passarelas ou nos objetos, ele gosta de provocar algo na memória das pessoas. O croqui da caneca exibido ao lado, por exemplo, revela um diamante. "Tirei da embalagem do Diamante Negro", conta, referindo-se ao chocolate que povoa a vida de tantos consumidores. A vida e a infância. Ao ser perguntado sobre como era quando criança, Sommer, meio assustado, pergunta: "Por quê?" Só mais tarde reconheceria a importância desse período em sua lida, como a predileção pela cor dos uniformes escolares, caso do vinho e do azul.

 

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Alto e esguio, o homem de 42 anos admite não gostar muito de dar entrevistas. Não por ser blasé, mas por timidez. "Ainda que nem sempre, curto também transmitir mensagens de sorte nas coisas que faço", explica o canceriano. Ele, que aprecia decoração, mora em um lugar coalhado de móveis e objetos com ar retrô e muitos, muitos brinquedos colecionados. Alguns exemplares estão à venda em sua loja, Do Estilista, um predinho na Alameda Franca onde, no andar superior, fica sua sala. Entre outras coisas, ali se pode observar o vitral com motivos florais na parede de fundo, além de um quadro com uma santa e outro com um Cristo. Seria ele religioso? "Acredito em Santo Expedito", afirma, a respeito da figura evocada para destrinchar causas urgentes – e que dá as caras em uma de suas canecas.