Reforma recupera casa em Belo Horizonte após uso comercial

- O Estado de S.Paulo

Casal queria um imóvel com mais espaço para os filhos e também para os móveis garimpados ao longo dos anos

No primeiro piso do sobrado reformado por Marina Dubal, salas de estar, jantar e TV não têm portas divisórias

No primeiro piso do sobrado reformado por Marina Dubal, salas de estar, jantar e TV não têm portas divisórias Foto: Henrique Queiroga/Divulgação

O imóvel construído na década de 50 em Belo Horizonte, no bairro de Lourdes, estava ocupado por um café e já havia passado por várias alterações em sua planta original, mas nada disso dissuadiu o casal de comprá-lo. Em busca de um lugar mais amplo para os filhos pequenos crescerem com liberdade e de espaço para acomodar os móveis acumulados ao longo de anos, eles encontraram na casa o lugar ideal para viver.

“É uma casa bem mineira. Os moradores valorizam muito a convivência em família, a hora do almoço juntos, a memória afetiva que cada objeto guarda – e que até mesmo o imóvel traz”, diz a arquiteta Marina Dubal, responsável pelo projeto de atualização da casa, de 410 m². Assim, a reforma não teve o objetivo de transformar o imóvel, mas, sim, de ajustá-lo às necessidades da família e reparar o que fosse necessário, mantendo o máximo possível como no original.

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“Revitalizei partes da residência e refiz outras, como a cozinha, que foi mantida no mesmo lugar, só que agora com área ampliada e mais luminosidade”, conta Marina. Portas e janelas de ferro são quase todas originais; as que estavam muito danificadas foram refeitas, seguindo o modelo existente.

A maioria dos móveis e acessórios já era da moradora, que gosta de garimpar itens para casa durante viagens e está sempre atenta quando alguém da família quer se desfazer de alguma peça. Ela já tinha, por exemplo, o aparador com rodas, posicionado ao pé da escada, e o tapete florido da sala de jantar, que era de sua avó. Ali, a mesa Saarinen, que na outra morada da família ficava na varanda, foi repaginada e ganhou um tampo maior, grande o bastante para acomodar cinco cadeiras. 

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No piso superior, onde ficam a suíte do casal e mais três quartos, o banheiro dos filhos tem espaço suficiente para a banheira, uma ampla bancada de madeira e muitos armários. Abrindo mão de uma decoração temática, a arquiteta fez quartos que podem se ajustar bem ao crescimento das crianças – mesmo usando os móveis de época do acervo da moradora. 

O trabalho mais pesado de reforma foi concentrado na cozinha. Arejado, o ambiente recebeu um porcelanato cinza de aspecto rústico no piso e azulejos retangulares perto da bancada de trabalho. Os armários são de um azul suave, como queria a moradora. Para contornar a limitação imposta pelas janelas e pelas vigas que não poderiam ser removidas na obra e ainda assim abrir lugar para guardar todos os utensílios, a arquiteta projetou armários até perto do teto, sobre a coifa. Se ali tudo está tinindo de novo, no corredor externo ao lado o antigo piso de ladrilho hidráulico é uma prova de que esta casa já tem muita história para contar. / Marina Pauliquevis