Paredes de alvenaria decoram interiores de apartamento

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Concreto aparente, cimento queimado e madeira laminada fizeram parte do projeto

Todas as paredes internas foram demolidas e as novas refeitas com blocos de concreto aparente. Nesta foto, eles destacaram as cores da paisagem retratada na tela

Todas as paredes internas foram demolidas e as novas refeitas com blocos de concreto aparente. Nesta foto, eles destacaram as cores da paisagem retratada na tela Foto: Electroma.Core

Pouco do que se vê hoje nesse apartamento de 88 m², localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, remete à sua configuração original, que em nada atendia às expectativas de seu casal de proprietários. Em linhas gerais, <IP9,0,0>uma área social mais integrada, maior privacidade nas áreas íntimas e o uso de materiais práticos e de fácil limpeza 

Propostas ousadas, demolir todas suas alvenarias e redesenhar por completo o espaço interno foram alternativas antevistas pela equipe da MNBR Arquitetos, dos ex-colegas de faculdade Vinicius Marques, Marcelo Nogueira, Ariel Bery e Felipe Rezende, e, desde o ano passado, Bruna Cancellara. 

“A ausência de estruturas no núcleo da construção possibilitava a operação. Mas só após uma análise da viabilidade de cargas pudemos dar início à obra”, lembra Bery. 

Dessa forma, todas as paredes internas foram demolidas e as novas refeitas com blocos de concreto aparente. Para viabilizar as obras, que consumiram sete meses, a equipe teve que estudar a fundo o manual do condomínio para descobrir o tipo de laje existente e compatibilizar as novas e as antigas cargas. Tudo para eliminar qualquer possibilidade de erro.

“Uma intervenção radical como esta comporta muitas questões. <IP9,0,0>Tivemos, por exemplo, de reproduzir o traçado das novas paredes no piso e embutir toda a infraestrutura elétrica por dentro dele, deixando a pronta para passar por dentro dos blocos até atingir a altura dos pontos de luz. Afinal, não seria possível rasgar as alvenarias para a passagem dos conduítes, como normalmente acontece”, explica Rezende.

Assim, a antiga distribuição com três dormitórios cedeu espaço a dois amplos ambientes: uma suíte com closet e um segundo quarto, de uso múltiplo, que ora funciona como escritório, ora como quarto de bebê e ora como brinquedoteca. A área social foi integrada à cozinha, enquanto o lavabo existente foi eliminado, aumentando a área de serviço.

Certo que o orçamento reduzido e o estilo de vida descolado do casal foram determinantes na aceitação do estilo determinado pelas escolhas de projeto. Em essência, brutalista, intercalando superfícies formadas por concreto aparente, cimento queimado e madeira laminada. 

Mas, segundo ele, a opção por esses materiais se revelou fundamental. “A escolha permitiu direcionar recursos para outros setores da obra, como a parte estrutural e a marcenaria.  Afinal, eles não são apenas mais econômicos, mas também decoram”, conclui.

Confira as fotos do apartamento: