Para Além do vidro

Julia Contier - O Estado de S.Paulo

Jacqueline Terpins se reinventa após duas décadas de trabalho com cristal

O tempo pede renovação. Ainda mais para a inquieta Jacqueline Terpins, que ao longo de mais de duas décadas construiu uma trajetória baseada em seus trabalhos de cristal. Por isso, sem abandonar o vidro, a designer e artista plástica acaba de lançar uma coleção de móveis usando madeira e estofados - expostas no Estúdio Jacqueline Terpins, no Pacaembu.

"O vidro sempre me fascinou, ainda mais em seu estado incandescente. É orgânico e nunca para de fluir", diz a designer, que viu no material a paixão necessária para mergulhar na profissão. "Também vejo no linho e na camurça uma coisa natural e absolutamente tradicional que me agrada muito. E a madeira, assim como o vidro, não é estática, ela se expande e contrai com a temperatura ambiente. É um outro tipo de limite, de desafio." A designer também testa o Corian, um tipo de resina, na mesa lateral Besame Mucho, feita anteriormente de alumínio.

Apesar de a matéria-prima não ser a mesma, existe uma semelhança entre a antiga e a nova coleção. "Sempre me preocupo com a leveza do móvel, coloco o menor número de apoios para dar movimento". As estruturas que sustentam os sofás e as poltronas da linha Laca de móveis se destacam pela forma e o acabamento de madeira ebanizada ou laqueada.

 

Mesa de jantar IN

Além dessa linha e da Komodo, que utiliza camurça e linho, merece atenção a linha V, de vidro, que traz uma variação na forma das bases das mesas e cria efeitos diferentes de acordo com o movimento dos vértices dos triângulos. O formato do tampo pode ser quadrado, retangular ou redondo.

 

Aparador de linha Laca

Dessa forma, a mesa Estrela tem os vértices para o exterior e a Fogos, para dentro. Na Biriba são apenas três triângulos. A mesa de jantar IN teve sua base construída a partir de dois vértices triangulares, criando um losango, e a OUT tem na base um X, formado a partir de dois vértices triangulares.