O SANDUÍCHE DE METRO É DELA

- O Estado de S.Paulo

Edna Queiroz inventou o lanche que virou febre

Edna Queiroz diz sem disfaçar o orgulho: ''''A cozinha está na minha veia''''. A dona do bufê Naturiche recorda-se da avó, Eleonora, no preparo de doces em grandes tachos, em Santa Rita do Passa Quatro, interior de São Paulo. ''''Aquela alquimia me fascinava.'''' Ainda na cidade natal, Edna lembra do primeiro arroz-doce, que fez aos 13 anos e foi um desastre. ''''Mudei muito de panela e errei a mão'''', diverte-se. Na mesma época, ela se mudou para a capital, onde trabalhou com marketing e até fez curso de sobremesas, ''''mas meu forte são os salgados'''', frisa. Em 1984, apostou no DNA e na intuição. ''''Sentia falta de uma comida rápida saudável'''', diz Edna. Nasceu então a Naturiche, antes uma sanduicheria delivery, agora, um bufê mais elaborado. Pouco depois, ela lançou o sanduíche de metro, que se tornou febre. Culpa de um cliente, que sempre queria um sanduba maior. No dia 14 de maio, ela saiu da La Baguete com três pães especiais, montou o sanduíche em tábuas de madeira e enviou ao homem com um cartão: ''''Este tamanho está bom?'''' Sucesso! ''''Só esqueci de registrar minha criação.'''' O sanduíche de metro faz sucesso em festa principalmente por causa da simplicidade na hora de servir - não requer prato nem talheres. Dos tempos de escritório, Edna mantém o hábito de celebrar com os amigos em volta da comida. No espaço gourmet, construído há dois anos em seu apartamento, promove almoços comunitários. ''''Fazemos rodízio de cozinheiros'''', diz ela. Temperos O térreo do dúplex, na Cidade Universitária, agrega cozinha, saleta e varanda. Quando o clima permite, a mesa de vime branco e vidro (da Artefacto) vai para o ar livre, onde os convivas podem até colher temperos. No canteiro, salsinha e orégano, entre outros; nos vasos de madeira branca, no acesso à sala, alface crespa, manjericão roxo, arruda e pimenta dedo-de-moça. O cercado de inox preto ganhou bambu e madeira brezo pontuados por cerâmicas vermelhas - obra de José Luís Pilotto, designer, artista plástico e... namorado. No interior, mais trabalhos do artista, caso da escultura de inox e couro (cerca de R$ 4 mil, no Studio PHd) fixada na parede vermelha da saleta. Ele ainda cria peças diferenciadas, como o rack para vinhos horizontal, de eucalipto de reflorestamento (R$ 140 para 12 garrafas, idem), e o porta-tempero em forma de nó, de PVC (R$ 15 cada um, na Naturiche). Já Gustavo Freiberg esculpiu a pedra que serve de base para a mesa de vidro, que fica bem no meio da cozinha. Nas pranchas de madeira próximas, taças coloridas, xícaras e pratos variados. O balcão de teca, sob o paneleiro de metal suspenso, demarca a área de trabalho. Ele apóia máquina de café expresso, cooktop de quatro bocas Arwek e cepo com facas de aço Dynasty. ''''Minha irmã mora na Suíça e me traz de presente porque sabe que adoro'''', diz Edna. ''''Facas são essenciais para fazer uma boa comida.'''' Das banquetas cromadas, notam-se conchas e espátulas no varão de aço; vidros de pimenta-rosa, orégano e salsa da Bombay Herbs & Spices, no suporte da parede; e potes com nozes, castanhas e amêndoas sobre a bancada da pia de granito preto, onde também figura o mixer de aço Hamilton Beach (R$ 246, na Suxxar). Fase pink Atrás da geladeira de aço escovado Bosch, chama atenção a parede laranja. ''''É uma cor que abre o apetite'''', explica Edna, que curte os possíveis benefícios das cores e diz estar em uma fase pink nos negócios, ''''para ter prosperidade''''. Até os panfletos do bufê são cor-de-rosa. A correria deixa pouco tempo para viagens. Numa das últimas, ela trouxe chocolates e latas de biscoito de amêndoas de Zurique, além de patês e mostarda da loja Fauchon, de Paris. Só comida? ''''Compro coisas para o bufê e aproveito para a casa'''', diz. ''''Tenho frigideiras de cobre, de Penedo (RJ), só como decoração, e um casal de bonecos cozinheiros, que trouxe da Bahia, há quatro anos.'''' Ah, bom...