O design que faz bem

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Questão da sustentabilidade norteou projetos apresentados no concurso da Movelsul 2010

Ponto alto da Movelsul Brasil 2010, feira bianual organizada pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), o resultado da 14ª edição do Salão Design, apresentado no fim março, aponta para o amadurecimento do sistema design no Brasil por parte dos criadores, cada vez mais inteirados das possibilidades de veicular suas criações. E também por parte da indústria, aberta a produtos funcionalmente mais elaborados e conceitualmente mais significativos.

 

Neste ano, de um total de 793 inscritos, vindos de 20 países, foram selecionados 16 projetos (10 premiados e 6 com menções) nas modalidades estudante, profissional e indústria. Em cada uma delas, os projetos concorreram nas categorias acessórios domésticos, eletroeletrônicos, iluminação e móveis. Tomado pelos designers como um estímulo à pesquisa e à inovação, a questão da sustentabilidade surge como denominador comum à maioria das propostas.

 

 

 

 

Bubble, sistema de iluminação projetado por Inivaldo Diniz para a categoria estudante

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É o caso da linha Twin (acessório doméstico, vencedor do prêmio indústria), da Deca. Trata-se de uma torneira com filtro acoplado e duas saídas: uma para água filtrada, outra para a potável. Deslocando sua alavanca para um lado, abre-se a torneira. Para o outro, o filtro, cujo refil tem vida útil de 1.500 litros de água.

 

Ou ainda de Caruaru, coleção de móveis produzidos pela Rosenbaum Decorações. Com desenho inspirado nos fundamentos construtivos do mobiliário tradicional da feira nordestina, utiliza como matéria-prima uma madeira obtida a partir de manejo sustentável: o pínus. Uma variedade em geral empregada em sua tonalidade original, mas que aqui ganha nova expressão pela aplicação de tonalidades agrestes de amarelo, azul e verde, além de estampas reproduzindo xilogravuras.

 

 

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Luminária TK1, de Luciano da Silveira Araújo, com produção da Ovo Design

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais conservadora, a seleção dos designers vencedores nas categorias estudante e profissional privilegiou a viabilidade de produção das peças em detrimento de seu componente criativo. Uma posição que foi defendida abertamente pelo júri, ainda que diante de uma seleção de finalistas que se mostrou bastante instigante e sintonizada.

 

"Cada categoria é avaliada com mais ou menos peso para cada critério. Mas todas precisam produzir produtos que cabem no mundo", argumenta Bernardo Senna, um dos jurados do prêmio. A conferir.

 

 

 

Banco R540, de Carolina Armellini e Paulo Biacchi, da categoria profissional