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Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Apartamento nos jardins perdeu paredes e ganhou mais espaço para os almoços de família

No living, que ganhou mais espaço depois da reforma, a poltrona de Sergio Rodrigues tem lugar de destaque

No living, que ganhou mais espaço depois da reforma, a poltrona de Sergio Rodrigues tem lugar de destaque Foto: Zeca Wittner/Estadão

Em um prédio de 1964, no Jardim Paulista, um apartamento bem iluminado ganhou versão diferente de sua planta original. Como era comum em construções da época, a planta de 110 m² era bem segmentada. “O imóvel é muito bom, o que precisava ser feito era apenas repensar a disposição dos ambientes e tirar partido do amplo espaço disponível”, diz Lucia Manzano, arquiteta responsável pelo projeto de reforma.

A obra começou com a derrubada da parede que separava a cozinha da sala de jantar, uma ideia que veio depois de a moradora contar que costuma receber a família para almoçar nos fins de semana. A separação dos dois ambientes ficou apenas por conta do piso, que na área da cozinha foi revestido com ladrilhos hidráulicos bem coloridos. 

“Infelizmente, não conseguimos preservar os tacos que existiam. Principalmente na sala perto da janela: como recebem muita luz solar, acabaram manchando, faltou um cuidado maior do antigo proprietário”, diz a arquiteta. A solução foi trocar todo o piso do resto do apartamento por um de madeira cumaru, em um tom que conversa com uma das cores usadas nos ladrilhos da cozinha. “É um revestimento que funciona bem em quase todas as situações, desde que seja bem cuidado, sobretudo preservado de produtos de limpeza químicos”, recomenda.

Como era uma necessidade da proprietária, um bom pedaço da sala foi reservado para o jantar, o suficiente para receber uma mesa de madeira grande, que em dias de casa vazia é movida ligeiramente para mais perto da parede. “É a solução para abrir um pouco mais de espaço de circulação entre a sala de jantar e a cozinha. No dia a dia facilita bastante a passagem. Para que a luminária fique sempre centralizada, instalamos um gancho extra ao lado do principal: quando a mesa vai para o lado, é só passar o fio do pendente para o outro apoio.”

Já que a cozinha ganhou destaque depois da obra, fazer com que ela parecesse parte da sala de jantar era um ponto importante do projeto. Para isso, ao invés de colocar mais armários, além daqueles já instalados embaixo da pia, a arquiteta garimpou em uma feira de antiguidades um móvel de madeira que serve de apoio para as louças do café da manhã e também acomoda algumas taças de cristal. “Depois da reforma, a área de serviço perdeu o quarto, para aumentarmos a sala. Mesmo assim, sobrou um espaço razoável por lá. Aproveitei e instalei bons armários que guardam os utensílios que não couberam na cozinha”, explica. 

Para complementar a decoração, uma prateleira perto do teto recebeu objetos de coleção. Na área íntima, o banheiro original da casa também foi reformulado. “Era tão grande que deu para erguer uma parede e dividir o espaço em dois. Um banheiro agora atende só o quarto principal e outro, o quarto de hóspedes.”

Para a decoração da nova sala, a poltrona assinada por Sergio Rodrigues, que era da avó da proprietária, ganhou posição de destaque, acompanhada do sofá italiano Maralunga, de Vico Magistretti, com encosto ajustável. Por ali, os vasos estão sempre cheio de plantas e flores. “É com certeza um novo espaço. Mas ainda vejo bastante da construção original aqui. Acho que conseguimos um equilíbrio entre valorizar o antigo e criar algo novo.”