Metal nobre

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Dois dos nomes mais promissores da nova geração do design nacional, Flavio Franco e Rodrigo Othake, comentam a coleção inédita de móveis de metal para interiores que eles acabam de lançar na galeria Herança Cultural

A liunha Pouso desenvolvida por Rodrigo Othake para a Herança Cultural,feita de chapas de chapas de aço inoxidável

A liunha Pouso desenvolvida por Rodrigo Othake para a Herança Cultural,feita de chapas de chapas de aço inoxidável Foto: Herança Cultural

A Herança Cultural se notabilizou ao longo dos anos por seu afinado acervo de móveis, sobretudo ícones do modernismo brasileiro, produzidos entre as décadas de 1950 e 1960, e selecionados a dedo por seu proprietário, o galerista Pablo Casas. Pouco a pouco, porém, esse cenário começa a mudar. Não propriamente no sentido de uma transição, mas de uma continuidade. “Reconheço em muitos dos nossos jovens designers uma clara vinculação à tradição moderna brasileira”, pontua Casas, que apresentou semana passada duas coleções de móveis metálicos, material inédito na galeria, desenhados por Flávio Franco e Rodrigo Ohtake. Dois nomes da novíssima geração, que falaram ao Casa sobre a experiência.

É a primeira vez que trabalha com metal? O que mais o agrada no material?

Flávio Franco: Não, meu primeiro contato data de 2013, quando lancei a poltrona Baralho. Gosto particularmente das condições de resistência oferecidas pelo material, característica que procuro enfatizar em meus produtos. O metal te permite imprimir um aspecto escultórico aos móveis. 

Rodrigo Othake: Não, já utilizei muitas vezes. Gosto do metal sobretudo por sua maleabilidade e, ao mesmo tempo resistência. Além disso, ele pode ser encontrado nas mais diversas formas: tela, tubo, cantoneira, chapa. São muitas possibilidades.

O designer Rodrigo Othake

O designer Rodrigo Othake Foto: Herança Cultural

O designer Flavio Franco com sua poltrona Baralho

O designer Flavio Franco com sua poltrona Baralho Foto: Herança Cultural

Qual o conceito da coleção?

Procurei exercitar um design dinâmico, que instigasse o observador a pensar a peça, a decifrá-la. Além disso, ainda que trabalhando com o metal, me preocupei em dotar as peças de leveza e suavidade extras. 

RO: Meu desafio era tocar o mínimo possível o chão. Daí o nome Pouso. Por meio de formas orgânicas e simples, e com poucos elementos, meu desejo foi criar peças fortes, mas delicadas visualmente. Algo possível de acontecer graças a espessura reduzida (5 mm) da chapa de aço.

Móveis de metal são muito utilizados nas áreas externas, mas pouco ainda nos interiores. Por que isso acontece?

FF: Acredito que exista uma ideia de desconforto e frieza associada ao material. Com esta coleção busco desconstruir esta imagem.

RO: Os móveis metálicos utilizados nas áreas externas geralmente são pintados, escondendo a beleza do metal. Falta um entendimento de que, como a madeira, ele se transforma com o tempo, o que não quer dizer que esteja se deteriorando, mas sim, amadurecendo. Acredito que até que seja por isso que as indústrias insistam em pintar o mobiliário de metal.

A poltrona Logan, de Flavio Franco

A poltrona Logan, de Flavio Franco Foto: Herança Cultural